domingo, 15 de novembro de 2009

Acesse a introdução do livro PODER LOCAL NO AR

LORENZON, Adriane. Poder local no Ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil. Brasília: Ed. Abravídeo, 2009.

INTRODUÇÃO

A radiodifusão comunitária é assunto crescente junto aos movimentos sociais e demais entidades da sociedade envolvidos na luta pela democratização do acesso à comunicação no Brasil.

A partir da atuação em radialismo desde 1989, a autora, Adriane Lorenzon, tem verificado como o rádio brasileiro, em especial o comunitário, constitui um significativo instrumento de difusão cultural, educativa, política e social. Todavia, as experiências desenvolvidas no país evidenciam deficiências marcantes no modelo atual de radiodifusão. Esta pesquisa – um estudo de caso sobre a Rádio Comunitária Educativa Elos FM, de Itabuna, Bahia – identifica outras possibilidades de uso da comunicação em benefício de comunidades que buscam o desenvolvimento local e a melhoria da qualidade de vida de sua população.

A bibliografia sobre a radiodifusão comunitária, entretanto, ainda é escassa, apesar de importante para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, em que os cidadãos compreendam a relevância do direito de informar e ser informado e tenham autonomia nas decisões do cotidiano.

Nesse contexto, cresce a necessidade de melhor compreender o lugar e o papel da mídia alternativa ou radical nas nossas sociedades. Segundo John Downing (2002), no livro Mídia Radical: Rebeldia nas Comunicações e Movimentos Sociais, esse tipo de comunicação expressa uma visão alternativa às políticas e perspectivas hegemônicas. Desse modo, o cidadão pode tomar conhecimento de outras versões acerca dos fatos noticiados pela mídia comercial e tem a realidade valorizada na programação da rádio da sua comunidade.

As rádios comunitárias servem também como determinante instrumento dos movimentos sociais. É por meio ou em torno delas que muitos desses movimentos se organizam e encontram soluções para os problemas e anseios das comunidades. Com uma programação voltada aos interesses locais, essas emissoras possibilitam o surgimento de uma esfera pública acolhedora de novos atores com diferentes opiniões, o que leva as comunidades ao exercício de poder, à diversidade de idéias e à democratização do viver coletivo.

Assim, apresenta-se neste estudo uma análise da municipalização dos serviços de outorga da radiodifusão comunitária no Brasil. A Rádio Elos FM serviu como objeto para a pesquisa de campo. Dessa forma, analisa-se, entre outros temas, a esfera pública local, a participação da comunidade nas atividades da emissora e a inserção de artistas locais e regionais na programação musical.

O município de Itabuna foi escolhido para estudo, por ser um dos primeiros do país a aprovar uma lei local sobre a municipalização dos serviços de outorga das rádios comunitárias. A experiência de Itabuna apresenta-se como uma alternativa para a democratização da comunicação brasileira, cujo acesso à população é negado ou desconsiderado pelas mídias comerciais.

Esta obra possui a seguinte estrutura:

O capítulo Mídia Alternativa discute o conceito de mídia alternativa, apontando as rádios comunitárias como parte fundamental desse tipo de comunicação utilizada pelos movimentos sociais, na luta pela democratização da comunicação no país. A seção analisa o conceito de comunidade, as diferenças entre rádios comunitárias e emissoras comerciais, apresentando ainda uma avaliação da legislação nacional que trata da radiodifusão comunitária no Brasil (lei n° 9.612/1998). Finalmente, é examinada a proposta de municipalização da radiodifusão comunitária, elaborada pelo juiz federal Paulo Fernando Silveira (2001).

Destaca-se no capítulo Esfera Pública e Poder Local, o referencial teórico deste estudo, com a abordagem do conceito de esfera pública de Habermas (1984). Embora o argumento habermasiano seja importante para pensar a relação entre mídia e democracia, a noção de uma só esfera pública, estabelecida no âmbito do Estado-Nação, apresenta algumas limitações. Como se vê, propostas de análise, como a de John Keane (1996), o qual distingue várias esferas públicas, são fundamentais para entender o tema da comunicação sob uma ótica plural. As esferas locais, por exemplo, são espaços públicos determinantes, pois o cidadão participa contribuindo sobremaneira para a vida em comunidade.

No capítulo Radiodifusão Comunitária e Poder Local em Itabuna, descrevem-se os procedimentos metodológicos aplicados na pesquisa: survey, entrevista focalizada e análise da programação da Rádio Comunitária Educativa Elos FM. Explicitam-se a hipótese e o problema de pesquisa, bem como o município de Itabuna e a emissora pesquisada.

O capítulo Estudo de Caso prioriza o estudo de caso da Rádio Elos FM. O objetivo é testar a hipótese da pesquisa: a municipalização da radiodifusão comunitária, mediante a criação da lei da radiodifusão local e do seu efetivo cumprimento, levará à maior participação dos cidadãos na radiodifusão e ao fortalecimento da esfera pública local.

É necessário esclarecer o que se entende por municipalização da radiodifusão comunitária. Trata-se da transferência da outorga das concessões de rádios comunitárias para a esfera municipal, por meio de lei local específica. Nessa perspectiva, o Município, ente político da Federação, tem o direito de legislar sobre assuntos de interesse local. Isso é defendido pelo juiz federal Paulo Fernando Silveira e consta na Constituição Federal, artigo 30, inciso I. Portanto, com a municipalização dos serviços de radiodifusão comunitária, ocorre a transferência do poder de legislar e autorizar o funcionamento de rádios comunitárias, atualmente centralizado pela União, para os municípios.

Por último, verificam-se, neste trabalho, quais implicações decorrem da alteração do modo de distribuição dos canais de rádios comunitárias, da União para a esfera municipal. Alguns argumentam que tal procedimento necessita de revisão da lei, criando-se, inclusive, uma emenda constitucional para tornar a outorga legal. Mas os movimentos sociais acreditam que essa nova forma de autorização das rádios comunitárias já é válida (pois conta com o apoio da própria Constituição Federal) e, assim, democratiza o acesso à comunicação, permitindo aos cidadãos a participação em todo o processo de criação da rádio da comunidade.

Assim, estudar a radiodifusão comunitária sob a ótica da municipalização desse tipo de serviço é fomentar o debate acerca de um tema atual e importante. Com este trabalho, objetiva-se compreender as rádios comunitárias como instrumento social que oferece ao cidadão brasileiro mais elementos para a construção de um modelo de comunicação mais plural e mais democrático.
Para saber mais escreva para adrianeprofessora@gmail.com.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sol de primavera

A primavera começou a despontar nos galhos, no canto dos pássaros, no brilho suave dos dias - que antes eram tão cinzentos... Mas qual o quê! Desta vez ela me pregou uma peça, chegou de mansinho, com a maquiagem de sempre, meio verde e castanha, mas usando máscara chuvosa, fria, de dias invernais... Quero o sol, o sol de primavera, o esquentamento das manhãs, o alarido constante dos passarinhos - moleques doidos de tanta alegria. Quero a vertente límpida e fresca para me fazer abrir a mente, os sonhos, o coração.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Lançamento de PODER LOCAL NO AR para estudantes da Unijuí e comunidade

Municipalizar a radiodifusão comunitária, como forma de democratizar e fortalecer a esfera pública municipal. Esta foi a proposta apresentada pela jornalista, radialista e professora Adriane Lorenzon, na noite de quinta-feira. Ela abordou o assunto no lançamento de seu livro Poder Local no Ar: Municipalização das Rádios Comunitárias e Fortalecimento de Esferas Públicas Locais no Brasil. A obra é resultado do mestrado em Comunicação realizado na Universidade de Brasília. O evento foi promovido em uma parceria entre o curso de Comunicação Social da universidade e a rádio Unijuí FM, integrando as comemorações do aniversário de oito anos da emissora. Segundo Adriane, hoje a concessão das outorgas para instalação de rádios comunitárias é um processo lento e moroso. Depende do preenchimento de uma longa lista de formulários e da aprovação do Ministério das Comunicações e ainda do Congresso Nacional. “O problema é que entre aprovar ou não há outras questões: a vontade política, os interesses das rádios comerciais”, pondera Adriane, que há 20 anos atua na radiodifusão. Outro argumento para a municipalização das concessões apresentado pela palestrante é a potência das emissoras comunitária, determinada pela lei que regulamenta o Serviço de Radiodifusão Comunitário (lei nº 2.615/1998). Segundo a legislação, este tipo de emissora não pode exceder 25 watts de potência, o que representa uma cobertura restrita a apenas um quilômetro de raio. “Sendo uma rádio com um alcance pequeno, esse é um assunto local, do Município”. A proposta defendida por Adriane Lorenzon, em sua dissertação, vai ao encontro da tese apresentada pelo juiz federal Paulo Fernando Silveira, de Uberaba, Minas Gerais, de que a municipalização das rádios comunitárias é legal e viável. No entanto, a jornalista esclarece que não se trata de tirar o poder de decisão da União e transferi-lo para o prefeito. “É preciso tomar medidas preventivas para que não haja abusos e se preserve a proposta da rádio comunitária. A responsabilidade de outorga deve ser decido, no âmbito municipal, por um conselho ou um comitê de comunicação comunitária, que seja representativo de todos os setores da comunidade”. Exemplificando essa proposta, ela trouxe o exemplo da Rádio Comunitária Educativa Elos FM, instalada em uma escola municipal, do bairro Ferradas, em Itabuna, Bahia, onde a municipalização já era aplicada. A jornalista ainda enfatizou a importância das rádios comunitárias como fator de inclusão social e exercício da cidadania. “Parece discurso político, mas a rádio comunitária é feita pela comunidade e para a comunidade. É o espaço onde o ouvinte deixa de ser passivo para ser ativo, sugerir pautas, tornando-se um agente da comunicação”, defendeu Adriane. Pluralidade, diversidade e um conteúdo educativo cultural são características que devem ser inerentes às rádios comunitárias. Mais informações sobre o livro Poder Local no Ar: Municipalização das Rádios Comunitárias e Fortalecimento de Esferas Públicas Locais no Brasil podem ser obtidas com a autora, através do e-mail adrianeprofessora@gmail.com. Texto: Mirian Redin de Quadros Jornalista, coordenadora Pedagógica da Rádio UNIJUÍ FM

quarta-feira, 18 de março de 2009

Adriane Lorenzon lança livro sobre Rádios Comunitárias

A obra Poder Local No Ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil é o resultado de pesquisa para o mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília. A autora, Adriane Lorenzon, é radialista, jornalista e professora e viajou à Bahia para realizar um estudo de caso na Rádio Comunitária Educativa Elos FM, em Itabuna.

Adriane Lorenzon trabalhou em diversas emissoras brasileiras, com maior destaque e mais recentemente nas rádios Câmara FM e Cultura FM, no DF. É professora universitária e atua como profissional multimídia prestando serviço para diversas entidades como Fundação Banco do Brasil, Abravideo, CNBB, Cáritas Brasileira, Ministério Público do DF, Procuradoria Geral da República, Embaixadas e emissoras de rádio.

A radiodifusão comunitária é assunto crescente junto aos movimentos sociais e demais entidades da sociedade envolvidos na luta pela democratização do acesso à comunicação no Brasil. Por entender a relevância e a necessidade de aprofundar o estudo desse tema, verifica-se em Poder Local No Ar, a viabilidade de municipalizar os serviços de radiodifusão comunitária no País. Analisa-se como a municipalização das rádios comunitárias pode contribuir para democratizar e fortalecer a esfera pública municipal. E, além disso, examina-se a possibilidade de tornar o Município o locus determinante da política de comunicação comunitária e transferir para esse ente da Federação a outorga dos serviços que regulamentam as rádios comunitárias.

Foi realizado um estudo de caso na rádio Comunitária Educativa Elos FM, instalada em uma escola municipal, do bairro Ferradas, em Itabuna, Bahia, a partir da seguinte hipótese: a municipalização da radiodifusão comunitária, por meio da criação da lei da radiodifusão comunitária local e do seu efetivo cumprimento, levará à maior participação dos cidadãos na radiodifusão e ao fortalecimento da esfera pública local.

A municipalização da lei da radiodifusão comunitária em Itabuna e a instalação da rádio em Ferradas contribuíram para fortalecer a esfera pública local, apesar dos níveis baixos de participação. Embora a experiência analisada apresente limites, a pesquisa evidencia o potencial da municipalização das outorgas de rádios comunitárias para aproximar as comunidades das políticas de comunicação, oferecendo novas oportunidades de democratização.

PODER LOCAL NO AR: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil. Brasília: Abravideo, 2009. 92 p.