quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Eu te amo - Tom Jobim (dele e Chico Buarque)

Como não se apaixonar por esse homem? Aliás, por esses dois homens? Tom e Chico compuseram "Eu te amo"...
Tá, eu confesso, sou louca pelo Tom. Ele é compositor, maestro, arranjador, poeta, cantor, mais conhecido fora do país do q no Brasil. E além de tudo, é lindo, charmoso e tem essa voz grave. Tá certo, ele fumava... tinha um defeito, devia de ter um pelo menos, né?
Saudade Tom! Vc faz falta por aqui, em especial nesses tempos de Fugidinhas e afins...

domingo, 9 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

2011... E agora?

Foto: autoria desconhecida

Mais um ano terminou, outro começou e você pode estar pensando: eu de novo nesse platô de acomodação, de duvidoso conforto, de incerta tranquilidade; parece que nada mudou, não está bom, mas poderia estar pior, vou deixando a vida me levar. É o jeito.
É o jeito? Ora, quem se deixa levar é camarão! Quem é o responsável pela melhoria dos seus dias? O padre, o prefeito ou o dono da farmácia? Nenhuma das alternativas. Você é o único responsável por tudo que acontece ao seu redor. É claro que por sermos sociais recebemos influências do meio, mas a assinatura do contrato por dias melhores é individual. Quem permite que o outro determine como será o dia de amanhã paga o preço por viver a vida do outro e não a sua.
          Às vezes bate uma preguiça, em outras, certo conforto em não mudar as coisas de lugar. É preciso limpar a bagunça. Não dá para deixar coisas mal-resolvidas, jogar tudo para debaixo do tapete. Não dá. O boleto da cobrança cedo ou tarde chegará.
E o que eu chamo de bagunça? Esse desconforto no peito, uma ansiedade por dias melhores, essa vontade de acertar as coisas que parecem estar fora de lugar. Aí você se anima mas logo deixa para amanhã e vai conversar com o vizinho, falar do fulano, entrar em polêmicas vazias se é melhor que o Ronaldinho Gaúcho vá para o Grêmio ou para o Flamengo. E assim passam-se os dias, vai-se vivendo. Como diz a música cantada por Zeca Pagodinho, “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Como assim? Na poesia fica bem, mas na vida prática, se você deixar o timão sob a responsabilidade de um terceiro, esse barco vai naufragar.
Não somos coitadinhos e inocentes. Sabemos exatamente o que estamos fazendo porque temos gravado na consciência qual é o caminho do bem e o caminho da dor. Que tal fazer um combinado de reforma íntima com o ser mais importante, o eu? Sim, porque para amar o próximo, valorizar o outro, ajudar alguém, é preciso primeiro cuidar de si mesmo, do corpo, da mente – individualmente.
        Conclusão. Nada está confortável. Começar por onde? Uma das possibilidades é dar uma verificada nos arquivos internos, nas gavetas fechadas, nos tapetes mofados, nas janelas emperradas, nas portas que rangem, nas estantes tortas da sala de estar. Pergunte-se: que temperos tenho usado na minha cozinha interior? São ácidos, azedos, amargos, salgados demais? E como vai o quintal? Quantas flores nasceram na última estação?
        Minha irmã, concurseira, costuma dizer que não consegue sentar para estudar se não estiver com tudo limpo no local. Então ela arruma, organiza, varre, passa um pano e assim consegue se concentrar melhor. De modo geral, se estivermos com a nossa casa interior minimamente organizada podemos nos propor a alçar outros voos, até a limpar outras casas (o próximo, o meio ambiente, a escola do bairro). Ajudando a nós mesmos e aos outros, estaremos automaticamente cuidando da limpeza da mente do mundo – e este, se transformará, aos poucos, numa psicosfera muito mais harmoniosa e equilibrada.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Banco Palmas

Este é um dos meus trabalhos de locução para a Fundação Banco do Brasil e Abravideo. Dê uma espiada!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Exercício da não-curiosidade

A curiosidade é o interesse em conhecer algo novo, descobrir informações fora do repertório já sabido. Por isso hoje, decidi exercitar a minha não-curiosidade. Aliás, hoje é um excelente dia para isso.
O Brasil inteiro (cerca de 135 milhões de eleitores aptos a votar) espera com não pouca ansiedade o resultado das eleições presidenciais de 2010. Será o ano em que elegeremos a primeira mulher presidente do país? Não importa. Aliás, isso pouco importa neste momento de tentativas literárias, diga-se de passagem. Agora a questão é: já são sete da noite, daqui a mais ou menos três horas já podemos saber o resultado parcial, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o que mesmo assim não afetará a equação final. E eu vou me segurar. Essa é a proposta.
Ousadia para uma jornalista. Como qualquer um da área, somos formados para escarafunchar a vida, o mundo, o fundo, a lama, o brilho, o escuro e transformar o que não aparece, em notícia. Difícil para uma curiosa nata.  Mas eu vou tentar. São essas possibilidades de quebra da normalidade que insights generosos sobem à tona de profundezas sombrias. Experimente!
Hoje é o meu dia do exercício da democracia imposta (alguma semelhança com o processo de sufrágio terá sido mera coincidência?), da ditadura à vontade – se conseguirei aguentar, não sei. Mas amanhã de manhã cedinho, no jornal que apresento em rádio FM, darei a notícia em primeira mão para mim mesma. Assim como quando passei em pedagogia em Santa Catarina – meu primeiro curso de graduação – eu mesma li no ar meu nome no listão – tão esperado por neófitos no mundo universitário. Emoção no mínimo curiosa que vivi.
Agora é contagem regressiva. Não para o resultado das eleições, mas para saber se darei conta. O que pesa a meu favor? Um texto de Freud, hermético, claro – desculpe o trocadilho infame – que precisa ser lido até amanhã e, um vento primaveril que torna minha corrida habitual irritadiça por conta do friozinho que se faz presente.
Desafio a mim mesma a segurar a onda e não buscar informação nenhuma – nada de Internet, televisão, rádio, telefone, vizinho, sinal de fumaça em azul ou vermelho...Certo que ouvirei espocos de fogos de artifício, mas há algum código para eu decifrar e saber de quem se trata a comemoração?
E nesse desafio da não-curiosidade está a própria curiosidade. Conseguirei?
Ora, pra quê isso, pergunta um internauta lendo esse texto depois de já passado o resultado – do desafio e das eleições – e pra ele tudo esclarecido. Resposta: Brincadeira comigo, desafio de criança, bobagem, pura distração, neuróbica (ginástica dos neurônios), sei lá. Às vezes a vontade é a de desafiar o óbvio.
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Dia seguinte, sete da manhã, sobrevivi. A não-curiosidade dormiu de olho aberto vencendo as apostas, bolões e pesquisas. 

domingo, 10 de outubro de 2010

Esperanza espera

Foto: Laura Capriglione/Folhapress

Tenho pensado muito nos mineiros do Chile a quase 700 metros de profundidade da superfície da terra. Mais de dois meses... Você consegue imaginar como é isso? Acompanho o drama das famílias e as necessidades que os mineiros apresentam por meio de papeizinhos ou de cartas enviadas às famílias. Um deles pediu como regalo uma foto do Sol. Que demais! Que deleite para quem não vê a luz do dia há semanas!

Esses homens, no total 32 chilenos e um boliviano, parecem ter saído de uma história de Gabriel García Márquez. Assim como um portal 3D direto para os personagens de Macondo, por exemplo. Ou como o sugestivo título que acabo de inventar: “A incrível e impressionante história de 33 homens no fundo da terra”. Provavelmente, em algum tempo, serão entrevistados e a história vai virar estória: livro, filme, minissérie de televisão.

O circo está armado, o enredo pronto com direito a um suspense do diretor geral (no caso, Deus), o cenário ainda recebendo os últimos retoques. Os figurantes todos a postos no lado de fora do imenso buraco escavado com potentes máquinas e brocas. Os atores principais ainda meio sem saber como tudo irá se dar no grand finale.

E do lado de cá ou de lá das imensidões oceânicas, preces, vibrações, bate-papos entre amigos. Que a vida não seja mais a mesma para eles, ou para nós, depois da resolução dessa tragédia anunciada. Aliás, o que são as minas de exploração de minérios e outras riquezas das entranhas da terra senão minas a ponto de explodir com a vida que se arrisca por míseros salários? Em troca, mineradoras e empresários, engordam as contas bancárias; em troca, a natureza devassada, devastada, chora.

O acampamento Esperanza espera, os homens esperam, o mundo espera.

Como seria se estivéssemos lá, no lugar de um dos 33?