Escrituras diversas de assuntos plurais de contextos vários de ideias mais. Temas dedicados à comunicação e educação; saúde e psicologia; literatura, poesia e prosa; meio ambiente; papel social do comunicador e do educador; como melhorar o mundo y otras cositas...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Melindres, vitimizações e afins
sexta-feira, 18 de março de 2011
Hoje não é o meu dia...
sábado, 8 de janeiro de 2011
2011... E agora?
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Nós animais insatisfeitos

O que você quer para a sua vida? Como a avalia até agora? O que acha que pode ou não fazer para melhorar e mudar a sua vida? Precisa mudar? Essas perguntas certamente não são comuns nas rodas de amigos, nos bares, nos bate-papos das vizinhas, nas fofocas que se ouve por aí. Imagine a cena, alguém dizendo: “– Fulana, ficou sabendo do novo projeto de vida da beltrana? Pois é, ela resolveu ser feliz, quer amar mais, vai ajudar mais o próximo, passou a se alimentar de modo saudável. Nossa, como ela está melhorando de vida! Como ela está evoluindo espiritualmente”!
Avaliar, analisar e refletir sobre a vida pessoal é algo que não nos ensinaram, seja na escola, na família, na igreja, no clube, muito menos pelos meios de comunicação. E, sendo assim, parece que é algo que não precisa existir, que não precisa fazer parte da vida de cada um. Eventualmente, quem tem acesso à arte e à filosofia e gosta de estudar esses temas pode assim ter contato com aquilo que transcende aos olhos, com o que mora mais longe, com o que está mais fundo do nível do mar. As regiões abissais são cheias de vida, embora a luz não se faça presente.
Geralmente, o questionamento e a inquietude ficam adormecidos até o dia em que algo nos desperte do cômodo conforto que buscamos ao longo dos dias. Nesses casos, entramos em parafuso, perguntamos o porquê de o nosso mundo estar desabando, nada nos consola ou se explica porque não há respostas imediatas para malresolvidos acúmulos gestados há largo tempo. Por que esperar chegar ao fundo do poço para buscar saídas? Talvez seja mais sábio trocar o tipo da pergunta e passar de por que isso ou aquilo, para para que isso está acontecendo comigo? Como ocorreu tal coisa comigo? Em que circunstância? Creia, muda-se o foco e o modo de se ver uma problemática e de solucioná-la também. Isso nos leva à reflexão automaticamente.
Ao encontrar um amigo que não se vê há muitos anos, o que seria contado a ele? Quais aspectos, qual enredo permearia o diálogo? O que você teria de interessante e nobre para resumir sobre a sua história? Acaso problemas, murmúrios e frustrações dariam a tônica da narrativa? Ou tendo experimentado a ousadia de querer uma vida melhor, teria aprendizados diversos, mesmo que tristes ou quiçá os alegres, para compartilhar?
Nesses tempos de comemoração e homenagem ao centenário de Chico Xavier, o Brasil traz à tona uma frase atribuída ao médium mineiro: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Pois, quando invertemos a lógica de visualizar nossos problemas, desafios e limitações, passamos a criar coragem e discernimento para encarar frente a frente a razão e descobrirmos resoluções para os incômodos e dificuldades que nos impedem de voar mais alto.
Então, fica uma pergunta indigesta, que dói o estômago, deixa a cabeça zonza e a fala encontra argumentos diversos para disfarçar. E de agora em diante, como quero seguir? Como planejar esse novo fim que me move no impulso dos dias e na irremediável trajetória que tenho a trilhar? Se errei, sofri, voltei ao erro, o que fazer para elencar metas plausíveis de serem realizadas, na pauta de meu projeto pessoal, tendo como princípios a decência, o amor, a fraternidade? Como me desenrolar do emaranhado de problemas e confusões no labirinto da vida?
Olhar para trás, encarar a razão, analisar as lições de cada acontecimento é um bom começo. Afinal, estamos aqui para evoluir. Carregamos o germe do que nos impulsiona ao progresso, ao melhoramento. Quando não nos foi dito que refletir mais profundamente, analisar a vida de modo holístico, contestar verdades amorosamente, não são tarefas prioritárias de cada ser no mundo, também não nos disseram que tínhamos total condição a priori de optar, usando nossa consciência, a aceitar isso como verdade. Temos poder decisório nisso tudo.
Desse modo, é possível recomeçar sempre. A síndrome de Gabriela (Gabriela, música de Dorival Caymmi eternizada na voz de Gal Costa) não precisa estar presente o tempo todo de todo o tempo que temos. “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou sempre assim” e... posso alterar essa formação daqui pra frente. Não preciso morrer como sempre fui. Ou seja, EU QUERO que a minha vida seja sustentada por pilares construídos por mim e não pelos outros – por valores alheios ao meu entendimento do que seja um mundo melhor. Perceba que a harmonia do universo é o resultado da soma de harmonias individuais. Só a paz que nos invade nos momentos de deleite e regozijo nos dá a sustentação e o ânimo necessários para a labuta dos momentos difíceis.
Realizar a tão propalada reforma íntima, expulsar os irmãos gêmeos egoísmo e orgulho do coração, tomar atitudes benfazejas de deixar rastros de amor não são tarefas fáceis. Promover o automelhoramento dá trabalho, sim! E quem quer pagar o preço? Todo bônus tem uma contrapartida, um esforço. São tantas medidas emergenciais a serem tomadas: entender que temos responsabilidade sobre nossas escolhas e que nossa consciência possui gravadas as opções de retidão do caminho, desenvolver a compaixão, aparar as arestas com a família – nossa base de apoio em que estão nossos maiores desafios de reconciliação –, e entender de uma vez por todas que fazer o bem não é simplesmente não fazer o mal.
Talvez você considere mais cômodo encontrar alternativas equivocadas de justificativa como afirmar que agora não é hora, que agora precisa trabalhar, agora seu filho ainda é pequeno, agora você não está aposentado; para uns porque são velhos demais, para outros porque são jovens demais. Todos se desculpando para não promover a fantástica viagem da “iluminação interior”, como bem nos lembra Divaldo Franco. Tem até quem ouse dizer, com toda a arrogância e ignorância peculiares dessas situações, que está bem assim, que nada há para alterar. Afirma-se, ingenuamente: “Se melhorar estraga”! Estar satisfeito gera um conforto que mascara o que poderia ser melhor, o que poderia ser diferente. Há uma frase de Guimarães Rosa: “O animal satisfeito dorme”. O que aconteceria com a humanidade plenamente satisfeita?
Prioridades baseadas no raciocínio, na reflexão podem nos levar a um dia a dia que nos fortalece nessa jornada. Quais requisitos devem prevalecer na nossa lista pessoal de opções desse ponto em diante? O comodismo nos paralisa, nos convence de que algo não está bem, mas poderia estar pior, então está bom assim. Constate se realmente você quer melhorar algo. Se a resposta for sim, porque o não aqui não nos interessa, diga esse sim em novas atitudes, renove o seu agir no mundo, amplie os horizontes buscando possibilidades. As novas escolhas virão consequentemente. Não há necessidade de esperar um acidente de carro, a perda de um ente querido ou do emprego, a amputação de uma perna, uma separação, para perceber que algo precisa receber mais atenção por você.
A cooperação entre as pessoas não é algo para amanhã, para outros povos, para outra vida. Se nos juntarmos em voz uníssona, respeitando os diversos timbres, em busca da melhoria interior de cada um, estaremos viajando em uma velocidade maior rumo ao desconhecido regozijo das almas que descobrem em tempo hábil o que é viver bem. Acreditar que a verdadeira felicidade não é deste mundo não deve abafar a busca por dias melhores. Miséria, sofrimento, doenças são desafios para nossa luta em prol da limpeza do Planeta. Enfrente seus medos e limitações, mergulhe fundo no que lhe incomoda e busque respostas com perguntas espertas e provocadoras. Não se contente com pouco. “É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe”, diz a canção de Vinicius de Moraes e Baden Powell.
Assim, o seu epitáfio será escrito de outra forma, a história contada ao amigo que não se vê há muito tempo terá outra narrativa. Ajudar o próximo na tomada de consciência de que a vida é muito mais do que o que passa na televisão, do que é dito por aí, é tomar atitudes que resvalem de si para o mundo e contagiem positivamente outros tantos. Isso é cooperação, fraternidade, solidariedade. A melhoria espiritual e o progresso interior vêm quando paramos para analisar como tem sido a vida até aqui. E a prática é a marca indelével que deixamos como exemplo.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O amanhã
O tempo é o senhor absoluto das benditas ou malditas agendas, calendários e relógios do cotidiano. Mas a decisão de dividi-lo em prioridades é milimetricamente tomada pelo livre-arbítrio que nos impulsiona inevitavelmente ao progresso. Cada um é responsável por fazer da própria vida um caminho radiante de escolhas que beneficiem ao menos o ambiente ao nosso redor ou um percurso de dores e dificuldades que detonarão o ânimo de quem se aproximar de nós. E trilhar ou não esse grande sertão é decisão individual.
Muitos aproveitam a transição de dezembro – o fim de um ciclo – para janeiro – o início de outra etapa – para “dizer” (em vez de tomar) decisões como parar de fumar, cuidar do meio ambiente, ser mais tolerante e compreensivo, amar mais. Ou seja, tudo é só da boca para fora. Na primeira oportunidade de testar a si mesmo se conseguiu resistir às tentações que a vida impõe nos intercâmbios sociais, encontra-se uma óbvia conclusão: “Eu não consigo”. E logo ali em fevereiro a vida continua do mesmo jeito de antes.
E como fazer para fomentar a determinação e disciplina necessárias para avançar e mudar definitivamente o status quo? Aí meu amigo, só com uma modificação interior tremenda em que se faça levantar poeira, derrubar tijolos, checar alicerces. E quem já fez uma reforma qualquer em casa sabe que isso dá trabalho, o serviço atrasa, o orçamento estoura, o piso arrebenta, a tinta não era bem “daquela” cor, enfim...
Mas quem quer pagar o preço de realizar um melhoramento interior? Quem quer parar de pensar só no material, no dinheiro, no trabalho, no ego, no umbigo particular, no eu, eu, eu? Quem quer dividir as fatias da pizza das prioridades e eleger um tempo para o amor incondicional, o desapego da matéria, o outro, as coisas do espírito?
Se você se identificou com esses três últimos questionamentos, então já tem adormecida a semente da diferença, da metamorfose. Agora é regá-la com água fresca e permitir que a luz invada esse pedaço de terra esperançoso. Arregace as mangas e não se iluda que a tarefa seja fácil. Em compensação, a viagem é incrivelmente fantástica!

