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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Piedritas en la ventana

De vez en cuando la alegría
tira piedritas contra mi ventana
quiere avisarme que está ahí esperando
pero hoy me siento calmo
casi diria ecuánime
voy a guardar la angustia em su escondite
y luego a tenderme cara al techo
que es una posición gallarda y cómoda
para filtrar noticias y creerlas

quién sabe dónde quedan mis próximas huellas
ni cuándo mi historia va a ser computada
quién sabe qué consejos voy a inventar aún
y qué atajo allaré para no seguirlos

está bien no jugaré al desahucio
no tatuaré el recurdo con olvidos
mucho queda por decir y callar
y también quedan uvas para llenar la boca

está bien me doy por persuadido
que la alegría no tire más piedritas
abriré la ventana
abriré la ventana
(Mario Benedetti)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O amanhã


Foto: Adriane Lorenzon


O que fazer para que a vida seja diferente no próximo ano? Não é mais possível esperar pelo outro – governo, professor, chefe, vizinho –, que ele faça alguma coisa para mudar a nossa dinâmica de vida, ou culpar o próximo dos fracassos nossos de cada dia. E os prováveis sucessos onde estarão? De quem é a responsabilidade?


O tempo é o senhor absoluto das benditas ou malditas agendas, calendários e relógios do cotidiano. Mas a decisão de dividi-lo em prioridades é milimetricamente tomada pelo livre-arbítrio que nos impulsiona inevitavelmente ao progresso. Cada um é responsável por fazer da própria vida um caminho radiante de escolhas que beneficiem ao menos o ambiente ao nosso redor ou um percurso de dores e dificuldades que detonarão o ânimo de quem se aproximar de nós. E trilhar ou não esse grande sertão é decisão individual.


Muitos aproveitam a transição de dezembro – o fim de um ciclo – para janeiro – o início de outra etapa – para “dizer” (em vez de tomar) decisões como parar de fumar, cuidar do meio ambiente, ser mais tolerante e compreensivo, amar mais. Ou seja, tudo é só da boca para fora. Na primeira oportunidade de testar a si mesmo se conseguiu resistir às tentações que a vida impõe nos intercâmbios sociais, encontra-se uma óbvia conclusão: “Eu não consigo”. E logo ali em fevereiro a vida continua do mesmo jeito de antes.


E como fazer para fomentar a determinação e disciplina necessárias para avançar e mudar definitivamente o status quo? Aí meu amigo, só com uma modificação interior tremenda em que se faça levantar poeira, derrubar tijolos, checar alicerces. E quem já fez uma reforma qualquer em casa sabe que isso dá trabalho, o serviço atrasa, o orçamento estoura, o piso arrebenta, a tinta não era bem “daquela” cor, enfim...


Mas quem quer pagar o preço de realizar um melhoramento interior? Quem quer parar de pensar só no material, no dinheiro, no trabalho, no ego, no umbigo particular, no eu, eu, eu? Quem quer dividir as fatias da pizza das prioridades e eleger um tempo para o amor incondicional, o desapego da matéria, o outro, as coisas do espírito?


Se você se identificou com esses três últimos questionamentos, então já tem adormecida a semente da diferença, da metamorfose. Agora é regá-la com água fresca e permitir que a luz invada esse pedaço de terra esperançoso. Arregace as mangas e não se iluda que a tarefa seja fácil. Em compensação, a viagem é incrivelmente fantástica!