Mostrando postagens com marcador martha medeiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador martha medeiros. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O primeiro livro que li

Coleção Monteiro Lobato (foto: autoria desconhecida)

O primeiro livro que li foi a coleção inteira de Monteiro Lobato. Contudo, as primeiras narrativas que tive acesso estavam nuns disquinhos coloridos, em LP, como Os Três Porquinhos, Cinderela, Branca de Neve. Eu apreciava muito quando a professora Ione permitia que eu ficasse ouvindo esses contos em vez de ir para casa mais cedo. Sozinha na escolha das histórias, eu me sentia o máximo em comandar as pick ups.

Mais tarde, veio a coleção Cachorrinho Samba de Maria Jose Dupré. Uma turma que se metia em trapalhadas, sempre acompanhada do cãozinho schnauzer. Um passo à frente, era hora de ler A Serra dos Dois Meninos de Aristides Fraga Lima. E, aos poucos, Érico Veríssimo se impôs na vida estudantil. Ler Érico Veríssimo no Sul do país era algo que facilitava a entender o contexto – a coxilha, o minuano, os castelhanos...

Na adolescência, eu era rata da Biblioteca Pública Municipal de Tenente Portela (RS). Aos 13, 14 anos, convivi com Niles, a bibliotecária. Pessoa formidável que compartilhava comigo pílulas poéticas. Quando pensava em ir à Biblioteca, já sabia que teríamos um momento só nosso, de pura emoção. Líamos de tudo quanto é poeta – em voz alta. É desse tempo que conheci Luiz de Miranda, Mario Quintana, Hilda Hilst.

Anos depois, atuando como entrevistadora, tive a oportunidade de conversar sobre o primeiro livro da vida de diversos escritores brasileiros. Entrevistei Moacyr Scliar, Mary Del Priore, Eva Furnari, Milton Hatoum, Zuenir Ventura, Martha Medeiros... E todos tinham alguma peripécia para contar de suas experiências com o livro na infância. Isso foi no programa Quando Eu Era Criança da Rádio Câmara de Brasília. Valeu, Humberto!

Para mim, é impossível esquecer o furor que alguns personagens causam ao longo da vida. Imaginar o Saci rodopiando na cozinha do Tio Barnabé, e recordar de outros mais intensos, como Dom Quixote e Diadorim, é algo que ficará para sempre. Agradecida estou por amar a leitura e a escrita desses homens e mulheres que transformam meus textos, meu sentir, meu viver. Caro leitor, qual foi o primeiro livro que você leu? (Adriane Lorenzon)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Empreendimentos de sucesso


Foto: autoria desconhecida

Apesar de eu fugir de polêmicas, a torto e direito, pois elas não levam a nada, a existência me permite reflexões incômodas de ideias incomuns, chocantes à maioria dos que convivo. Uma delas é entender que algo que começa mal terminará, em quase todos os casos, mal. Se começamos falidos, qual a probabilidade de lucros? E isso ocorre nos diversos objetivos de quem solta as rédeas e se deixa conduzir por qualquer um. Salvo matéria restrita, é claro.

A controvérsia surge porque sempre tem aquele que diz: “Nada a ver”! E eu respondo, ou penso: “Nas exceções, nada a ver. Mas na prática, na regra das circunstâncias da vida, observe melhor usando o autoconhecimento”. Ao aguçar o pensamento, deparei-me com uma conclusão provisória que se tornou genérica: “A empresa que começa mal, vai falir logo ali, ou vai penar muito”. Nos relacionamentos, projetos, viagens, cursos e empreitadas, idem.

Para um voo começar bem, a aeronave exige decolar com toda a energia necessária, com as turbinas, motor e demais engrenagens funcionando a todo o vapor – ou seja, o avião deve estar bem mecanicamente. Também não adianta garantir a força inicial se o piloto não é competente, experiente e tomador de decisões precisas, se o combustível não é suficiente para todo o trajeto... Uma junção de fatores faz com que um voo seja considerado um sucesso.

Um estudante de medicina que faça o curso com desempenho meia-boca será um profissional medíocre... até o dia em que resolva alterar o nível em que se encontra aperfeiçoando o déficit e as limitações – na qualidade técnica do atendimento, na humanização do trato com colegas e pacientes... Senão, o que temos visto e recebido em consultórios e hospitais? O desvio do padrão é o que nos encanta e dá a certeza do êxito na carreira desse profissional.

Pesquisa informal de uma amiga da escritora Martha Medeiros com mulheres estadunidenses aponta que o tempo necessário para uma mulher transar com um homem é de três meses. Dessa forma, o casal poderia se encantar com as afinidades, conhecer as famílias, fazer exames laboratoriais. No Brasil, o mesmo papo aconteceu. Mas o reloginho aqui correria apenas 30 minutos. O suficiente para enganar-se que a solidão acabou e começar a frustração?

Hoje tenho a amizade de quem me detestou à primeira vista. Geralmente a recíproca da antipatia era verdadeira. Até o dia em que paramos para conversar, se descobrir e se encantar. Permitimos um momento só nosso para o reconhecimento um do outro. E foi mágico. A amizade só desabrochou porque escolhemos começá-la com diálogo, autorizando o estar do outro à nossa frente. Poderíamos ter optado por não nos ouvirmos e ela não teria surgido.  

Sim, há casos que começam bem e terminam mal – porque começaram mal, com a ilusão da tranquilidade, ou porque realmente algo saiu do curso habitual das relações. Quando auxilia uma empresa a se constituir e se firmar no mercado, por exemplo, o Sebrae indica diversas etapas a serem planejadas, executadas, analisadas. Ainda assim, para qualquer vida nova desabrochar é preciso novos planejamentos, avaliações, mudanças e tomar, então, a decisão de batalhar para que não termine mal; embora tudo passe, pois a vida é cíclica e recomeça. (Adriane Lorenzon)