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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O amanhã


Foto: Adriane Lorenzon


O que fazer para que a vida seja diferente no próximo ano? Não é mais possível esperar pelo outro – governo, professor, chefe, vizinho –, que ele faça alguma coisa para mudar a nossa dinâmica de vida, ou culpar o próximo dos fracassos nossos de cada dia. E os prováveis sucessos onde estarão? De quem é a responsabilidade?


O tempo é o senhor absoluto das benditas ou malditas agendas, calendários e relógios do cotidiano. Mas a decisão de dividi-lo em prioridades é milimetricamente tomada pelo livre-arbítrio que nos impulsiona inevitavelmente ao progresso. Cada um é responsável por fazer da própria vida um caminho radiante de escolhas que beneficiem ao menos o ambiente ao nosso redor ou um percurso de dores e dificuldades que detonarão o ânimo de quem se aproximar de nós. E trilhar ou não esse grande sertão é decisão individual.


Muitos aproveitam a transição de dezembro – o fim de um ciclo – para janeiro – o início de outra etapa – para “dizer” (em vez de tomar) decisões como parar de fumar, cuidar do meio ambiente, ser mais tolerante e compreensivo, amar mais. Ou seja, tudo é só da boca para fora. Na primeira oportunidade de testar a si mesmo se conseguiu resistir às tentações que a vida impõe nos intercâmbios sociais, encontra-se uma óbvia conclusão: “Eu não consigo”. E logo ali em fevereiro a vida continua do mesmo jeito de antes.


E como fazer para fomentar a determinação e disciplina necessárias para avançar e mudar definitivamente o status quo? Aí meu amigo, só com uma modificação interior tremenda em que se faça levantar poeira, derrubar tijolos, checar alicerces. E quem já fez uma reforma qualquer em casa sabe que isso dá trabalho, o serviço atrasa, o orçamento estoura, o piso arrebenta, a tinta não era bem “daquela” cor, enfim...


Mas quem quer pagar o preço de realizar um melhoramento interior? Quem quer parar de pensar só no material, no dinheiro, no trabalho, no ego, no umbigo particular, no eu, eu, eu? Quem quer dividir as fatias da pizza das prioridades e eleger um tempo para o amor incondicional, o desapego da matéria, o outro, as coisas do espírito?


Se você se identificou com esses três últimos questionamentos, então já tem adormecida a semente da diferença, da metamorfose. Agora é regá-la com água fresca e permitir que a luz invada esse pedaço de terra esperançoso. Arregace as mangas e não se iluda que a tarefa seja fácil. Em compensação, a viagem é incrivelmente fantástica!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Citra petita


Foto: O Globo, 1985.


Circula pela Internet um texto raivoso sobre a vida pessoal do cantor e compositor carioca Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Esse cara escreveu versos de uma poesia particularmente marcada pela irreverência e rebeldia típicos de sua época: os anos 1980. Letras como Vai à Luta – com Rogério Meanda – ou Boas Novas em que diz “senhoras e senhores, trago boas novas, eu vi a cara da morte e ela estava viva”, ou ainda Brasil – parceria com George Israel e Nilo Roméro – “Não me sortearam a garota do Fantástico, não me subornaram, será que é meu fim? Ver TV a [sic] cores na taba de um índio, programada pra só dizer sim, sim... Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim”.


Mas esta blogueira não tem a intenção de discorrer sobre Cazuza – nem quanto ao homem nem quanto ao artista. E sim, sobre a infelicidade de se escrever e propagar ideias constrangedoras sobre a moral do outro, no melhor estilo “atiro a primeira pedra”. Entendo que a Internet é uma ferramenta indispensável para a democratização da informação, pois sem ela, teríamos mais dificuldades em escrever e, principalmente, distribuir nossas opiniões mundo afora. Mas fiquei surpresa ao checar na pasta de entrada de minha caixa postal quem eram os remetentes: amigos queridos, alunas, parentes. Confesso que em parte me conhecem, porque têm a liberdade de expressarem suas emoções. Outro tanto, desconhecem da minha alma, o que é plenamente aceitável.


Ocorre que a autoria (dita do ramo da psicologia) comete alguns equívocos. Assim e, por isso mesmo, merece uma análise. Com um emaranhado simplório de letras soltas (e agressivas), o texto nos incita à violência, ao desamor, ao não-perdão, ao julgamento. Quem sou eu ou você para julgarmos a mãe e o pai de Cazuza como exemplos a não serem seguidos? (Você conhece Lucinha Araújo e a Sociedade Viva Cazuza?) Como afirmar, de cima de um pedestal, que a morte do poeta foi causada pela “educação errônea” dada a ele sem valorizar que tudo o que vivemos, inclusive a morte, pode ter como explicação o uso do livre-arbítrio? No entanto, considera-se possível estudar a vida pessoal de um indivíduo desconhecido ou de renome, desde que a pesquisa se dê com fundações sólidas em argumentos abrangentes e não superficiais e preconceituosos.


Destaco, a seguir, três aspectos que me interessam mais, e tomo a liberdade de priorizá-los seguindo a linha editorial do blog Driloren Para Maiores.


Espiritual: estamos neste Planeta para evoluir, isto quer dizer que somos perfectíveis, e não seres exatos, perfeitos e incorrigíveis, pois temos difíceis lições a serem vividas e assimiladas. Daí que eu, Cazuza ou você não nascemos num mundo angelical onde reina o amor e a paz, e as dificuldades são superadas com cada vez mais amor, paz, e bem. Cada um segue a jornada ditada pelos próprios passos, decisões, enganos e acertos. Olhe o mundo ao redor historicamente e observe o quanto a humanidade já progrediu, mesmo que haja ainda tanto a melhorar. Simples assim.


Outra forma de se analisar o texto evocado (sem título definido, mas que a maioria remeteu como “Psicóloga x Cazuza” e o deprimente “Um idiota morto”) é artisticamente: um artista deve ser analisado pela sua obra e não pelos liames pessoais. O quanto se conhece da vida pessoal de Roberto Carlos? O que se sabe da vida doméstica de Elis Regina? Ou, por fim, da vida particular de nossos pais, irmãos, amores e amigos em suas intimidades? Curtirão prazeres escondidos por não terem liberdade ou coragem para assumi-los? O que isso importa? Não dá para ser raso ou metade na vida. Há que ser inteiro.


O fato de a filha da dita autora ter assistido ao filme é outro papo. Teríamos de aprovar, por exemplo, leis (e, por extensão, representantes mais espertos, dinâmicos, inteligentes) que coibissem, justificadamente, exibições e irradiações públicas – como em cinemas ou canais de rádio e tevê – de produtos artísticos e comerciais que estimulem o sexo, o uso de drogas, incluindo aí bebidas, em horários impróprios para menores, se for o caso da filha da suposta autora. A fiscalização poderia sobrevir por intermédio de personagens engajados, fruto da cidadania exercida.


Eu não poderia deixar de angular estas linhas no que diz respeito ao mundo midiático – um mundo à parte e ao mesmo tempo intrínseco ao modus vivendi de cada um. A sociedade investe pródigos crédito e valor nos meios de comunicação. E não poderia ser diferente se analisarmos a informação sob a ótica da identificação das pessoas com o que e como é veiculado neles. A partir do surgimento da dobradinha Sociedade de Massa x Indústria Cultural foram construídos “produtos” sem o devido estímulo ao uso do exercício do questionamento, do aporte da criticidade em assimilar o que a “obra” de nomes como Kelly Key ou Bonde do Tigrão, só para citar brasileiros, fazem em nossas vidas. Isso só no aspecto profissional... mas quem sabe dizer como é o verdadeiro comportamento desses seres, no âmbito privado, ou seja, nos ambientes fora do alcance das câmeras? Nas esferas privada ou pública, seriam eles modelos, padrões?



Eu poderia ficar contra-argumentando a nossa entendedora da psique de plantão. Mas não é o caso. É certo que eu não quereria uma “profissional” assim para me ajudar a entender os medos, receios, desejos, limitações, e outras dores da alma constitutivas do ser que evolui. Sinto pena por tanta raiva distribuída ao mundo. E pena entendida aqui como sinônimo de compaixão.



E já que o polêmico Cazuza é a fonte desse diálogo, encerro citando-o em Como Já Dizia Djavan (parceria com Frejat): “Só quem tem os sonhos mais básicos, pode amar e dizer a verdade”. Agora, psit! Silêncio! Leia o poema feito por Cazuza e João Rebouças, chamado Quando Eu Estiver Cantando:

Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim

Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta
Ah, de besta

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Porque eu só canto só
E o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação

Porque o meu canto redime o meu lado mau
Porque o meu canto é pra quem me ama
Me ama, me ama

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio

Porque o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação
Porque o meu canto é o que me mantém vivo
E o que me mantém vivo



Visite www.cazuza.com.br ou www.vivacazuza.org.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Rádios Comunitárias e o Poder Local


Foto: Sandro Medeiros
Adriane Lorenzon e o poder local de Tenente Portela





As rádios comunitárias foram tema novamente de palestra no dia 5/12 em Tenente Portela-RS, dentro da programação da Expotenpo 2009. Apesar de um público pequeno, fez-se um diálogo extremamente importante sobre a participação das comunidades na programação das rádios comunitárias e o empoderamento do cidadão nas questões relacionadas à comunicação brasileira.


Entre os participantes, líderes sindicais, religiosos, da área da saúde e professores. Após a palestra foi servido coquetel e realizada a sessão de autógrafos.


domingo, 6 de dezembro de 2009

Garagem Elétrica

Adriane Lorenzon no comando da festa
A primeira edição do festival Garagem Elétrica em Tenente Portela-RS contagiou o público na sexta-feira, 5/12, com muito rock-pop . E só som independente, feito por bandas gaúchas que estão fora do cenário da grande mídia. Tudo bem que elas invariavelmente tocaram covers como, por exemplo, a Creedence Cover Revival. Os meninos da banda agitaram a tímida plateia com cópias de canções já massificadas desde os anos de 1960 e 70 pela banda estadunidense Creedence Clearwater Revival, dos irmãos Tom e John Fogerty. Mas todas arriscaram bonito ao tocarem canções de autoria própria, o que nos coloca um pouco de esperança e ânimo em novas possibilidades musicais no futuro. As bandas participantes foram Impressão Digital (Palmeira das Missões), Suburbanos (Frederico Westphalen), V8 e Tá e Daí (Ten. Portela), Creedence Cover Revival (Santo Ângelo) e Coronéis da Vicente (Porto Alegre).
Adriane Lorenzon entrevistando Ibanez, vocalista da Coronéis da Vicente
Convidada por Nilson Rosa Lopes [Pena], da Comissão Central, esta blogueira fez a apresentação da noite das guitarras e bateras. Muita gente gostou da performance da mestre-de-cerimônias mas demorou demais a se soltar, seja para dançar ou mesmo para se aproximar do palco. E não venha dizer que cada um curte o som como quiser... porque é no mínimo estranho a maior parte do público ficar paradona ao som elétrico e eletrizante de canções de artistas reconhecidamente empolgantes nas pistas: Doors, Creedence, David Bowie, Jota Quest. Mas tudo bem, vamos abrir outras Garagens Elétricas e trazer muito rock para a região. Afinal, quanto ao sertanejo universitário parece até que quem diz gostar, não aguenta mais. Prova foi o público reduzido no show da noite seguinte de César Menotti e Fabiano.

domingo, 15 de novembro de 2009

Acesse a introdução do livro PODER LOCAL NO AR

LORENZON, Adriane. Poder local no Ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil. Brasília: Ed. Abravídeo, 2009.

INTRODUÇÃO

A radiodifusão comunitária é assunto crescente junto aos movimentos sociais e demais entidades da sociedade envolvidos na luta pela democratização do acesso à comunicação no Brasil.

A partir da atuação em radialismo desde 1989, a autora, Adriane Lorenzon, tem verificado como o rádio brasileiro, em especial o comunitário, constitui um significativo instrumento de difusão cultural, educativa, política e social. Todavia, as experiências desenvolvidas no país evidenciam deficiências marcantes no modelo atual de radiodifusão. Esta pesquisa – um estudo de caso sobre a Rádio Comunitária Educativa Elos FM, de Itabuna, Bahia – identifica outras possibilidades de uso da comunicação em benefício de comunidades que buscam o desenvolvimento local e a melhoria da qualidade de vida de sua população.

A bibliografia sobre a radiodifusão comunitária, entretanto, ainda é escassa, apesar de importante para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, em que os cidadãos compreendam a relevância do direito de informar e ser informado e tenham autonomia nas decisões do cotidiano.

Nesse contexto, cresce a necessidade de melhor compreender o lugar e o papel da mídia alternativa ou radical nas nossas sociedades. Segundo John Downing (2002), no livro Mídia Radical: Rebeldia nas Comunicações e Movimentos Sociais, esse tipo de comunicação expressa uma visão alternativa às políticas e perspectivas hegemônicas. Desse modo, o cidadão pode tomar conhecimento de outras versões acerca dos fatos noticiados pela mídia comercial e tem a realidade valorizada na programação da rádio da sua comunidade.

As rádios comunitárias servem também como determinante instrumento dos movimentos sociais. É por meio ou em torno delas que muitos desses movimentos se organizam e encontram soluções para os problemas e anseios das comunidades. Com uma programação voltada aos interesses locais, essas emissoras possibilitam o surgimento de uma esfera pública acolhedora de novos atores com diferentes opiniões, o que leva as comunidades ao exercício de poder, à diversidade de idéias e à democratização do viver coletivo.

Assim, apresenta-se neste estudo uma análise da municipalização dos serviços de outorga da radiodifusão comunitária no Brasil. A Rádio Elos FM serviu como objeto para a pesquisa de campo. Dessa forma, analisa-se, entre outros temas, a esfera pública local, a participação da comunidade nas atividades da emissora e a inserção de artistas locais e regionais na programação musical.

O município de Itabuna foi escolhido para estudo, por ser um dos primeiros do país a aprovar uma lei local sobre a municipalização dos serviços de outorga das rádios comunitárias. A experiência de Itabuna apresenta-se como uma alternativa para a democratização da comunicação brasileira, cujo acesso à população é negado ou desconsiderado pelas mídias comerciais.

Esta obra possui a seguinte estrutura:

O capítulo Mídia Alternativa discute o conceito de mídia alternativa, apontando as rádios comunitárias como parte fundamental desse tipo de comunicação utilizada pelos movimentos sociais, na luta pela democratização da comunicação no país. A seção analisa o conceito de comunidade, as diferenças entre rádios comunitárias e emissoras comerciais, apresentando ainda uma avaliação da legislação nacional que trata da radiodifusão comunitária no Brasil (lei n° 9.612/1998). Finalmente, é examinada a proposta de municipalização da radiodifusão comunitária, elaborada pelo juiz federal Paulo Fernando Silveira (2001).

Destaca-se no capítulo Esfera Pública e Poder Local, o referencial teórico deste estudo, com a abordagem do conceito de esfera pública de Habermas (1984). Embora o argumento habermasiano seja importante para pensar a relação entre mídia e democracia, a noção de uma só esfera pública, estabelecida no âmbito do Estado-Nação, apresenta algumas limitações. Como se vê, propostas de análise, como a de John Keane (1996), o qual distingue várias esferas públicas, são fundamentais para entender o tema da comunicação sob uma ótica plural. As esferas locais, por exemplo, são espaços públicos determinantes, pois o cidadão participa contribuindo sobremaneira para a vida em comunidade.

No capítulo Radiodifusão Comunitária e Poder Local em Itabuna, descrevem-se os procedimentos metodológicos aplicados na pesquisa: survey, entrevista focalizada e análise da programação da Rádio Comunitária Educativa Elos FM. Explicitam-se a hipótese e o problema de pesquisa, bem como o município de Itabuna e a emissora pesquisada.

O capítulo Estudo de Caso prioriza o estudo de caso da Rádio Elos FM. O objetivo é testar a hipótese da pesquisa: a municipalização da radiodifusão comunitária, mediante a criação da lei da radiodifusão local e do seu efetivo cumprimento, levará à maior participação dos cidadãos na radiodifusão e ao fortalecimento da esfera pública local.

É necessário esclarecer o que se entende por municipalização da radiodifusão comunitária. Trata-se da transferência da outorga das concessões de rádios comunitárias para a esfera municipal, por meio de lei local específica. Nessa perspectiva, o Município, ente político da Federação, tem o direito de legislar sobre assuntos de interesse local. Isso é defendido pelo juiz federal Paulo Fernando Silveira e consta na Constituição Federal, artigo 30, inciso I. Portanto, com a municipalização dos serviços de radiodifusão comunitária, ocorre a transferência do poder de legislar e autorizar o funcionamento de rádios comunitárias, atualmente centralizado pela União, para os municípios.

Por último, verificam-se, neste trabalho, quais implicações decorrem da alteração do modo de distribuição dos canais de rádios comunitárias, da União para a esfera municipal. Alguns argumentam que tal procedimento necessita de revisão da lei, criando-se, inclusive, uma emenda constitucional para tornar a outorga legal. Mas os movimentos sociais acreditam que essa nova forma de autorização das rádios comunitárias já é válida (pois conta com o apoio da própria Constituição Federal) e, assim, democratiza o acesso à comunicação, permitindo aos cidadãos a participação em todo o processo de criação da rádio da comunidade.

Assim, estudar a radiodifusão comunitária sob a ótica da municipalização desse tipo de serviço é fomentar o debate acerca de um tema atual e importante. Com este trabalho, objetiva-se compreender as rádios comunitárias como instrumento social que oferece ao cidadão brasileiro mais elementos para a construção de um modelo de comunicação mais plural e mais democrático.
Para saber mais escreva para adrianeprofessora@gmail.com.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sol de primavera

A primavera começou a despontar nos galhos, no canto dos pássaros, no brilho suave dos dias - que antes eram tão cinzentos... Mas qual o quê! Desta vez ela me pregou uma peça, chegou de mansinho, com a maquiagem de sempre, meio verde e castanha, mas usando máscara chuvosa, fria, de dias invernais... Quero o sol, o sol de primavera, o esquentamento das manhãs, o alarido constante dos passarinhos - moleques doidos de tanta alegria. Quero a vertente límpida e fresca para me fazer abrir a mente, os sonhos, o coração.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Lançamento de PODER LOCAL NO AR para estudantes da Unijuí e comunidade

Municipalizar a radiodifusão comunitária, como forma de democratizar e fortalecer a esfera pública municipal. Esta foi a proposta apresentada pela jornalista, radialista e professora Adriane Lorenzon, na noite de quinta-feira. Ela abordou o assunto no lançamento de seu livro Poder Local no Ar: Municipalização das Rádios Comunitárias e Fortalecimento de Esferas Públicas Locais no Brasil. A obra é resultado do mestrado em Comunicação realizado na Universidade de Brasília. O evento foi promovido em uma parceria entre o curso de Comunicação Social da universidade e a rádio Unijuí FM, integrando as comemorações do aniversário de oito anos da emissora. Segundo Adriane, hoje a concessão das outorgas para instalação de rádios comunitárias é um processo lento e moroso. Depende do preenchimento de uma longa lista de formulários e da aprovação do Ministério das Comunicações e ainda do Congresso Nacional. “O problema é que entre aprovar ou não há outras questões: a vontade política, os interesses das rádios comerciais”, pondera Adriane, que há 20 anos atua na radiodifusão. Outro argumento para a municipalização das concessões apresentado pela palestrante é a potência das emissoras comunitária, determinada pela lei que regulamenta o Serviço de Radiodifusão Comunitário (lei nº 2.615/1998). Segundo a legislação, este tipo de emissora não pode exceder 25 watts de potência, o que representa uma cobertura restrita a apenas um quilômetro de raio. “Sendo uma rádio com um alcance pequeno, esse é um assunto local, do Município”. A proposta defendida por Adriane Lorenzon, em sua dissertação, vai ao encontro da tese apresentada pelo juiz federal Paulo Fernando Silveira, de Uberaba, Minas Gerais, de que a municipalização das rádios comunitárias é legal e viável. No entanto, a jornalista esclarece que não se trata de tirar o poder de decisão da União e transferi-lo para o prefeito. “É preciso tomar medidas preventivas para que não haja abusos e se preserve a proposta da rádio comunitária. A responsabilidade de outorga deve ser decido, no âmbito municipal, por um conselho ou um comitê de comunicação comunitária, que seja representativo de todos os setores da comunidade”. Exemplificando essa proposta, ela trouxe o exemplo da Rádio Comunitária Educativa Elos FM, instalada em uma escola municipal, do bairro Ferradas, em Itabuna, Bahia, onde a municipalização já era aplicada. A jornalista ainda enfatizou a importância das rádios comunitárias como fator de inclusão social e exercício da cidadania. “Parece discurso político, mas a rádio comunitária é feita pela comunidade e para a comunidade. É o espaço onde o ouvinte deixa de ser passivo para ser ativo, sugerir pautas, tornando-se um agente da comunicação”, defendeu Adriane. Pluralidade, diversidade e um conteúdo educativo cultural são características que devem ser inerentes às rádios comunitárias. Mais informações sobre o livro Poder Local no Ar: Municipalização das Rádios Comunitárias e Fortalecimento de Esferas Públicas Locais no Brasil podem ser obtidas com a autora, através do e-mail adrianeprofessora@gmail.com. Texto: Mirian Redin de Quadros Jornalista, coordenadora Pedagógica da Rádio UNIJUÍ FM

quarta-feira, 18 de março de 2009

Adriane Lorenzon lança livro sobre Rádios Comunitárias

A obra Poder Local No Ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil é o resultado de pesquisa para o mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília. A autora, Adriane Lorenzon, é radialista, jornalista e professora e viajou à Bahia para realizar um estudo de caso na Rádio Comunitária Educativa Elos FM, em Itabuna.

Adriane Lorenzon trabalhou em diversas emissoras brasileiras, com maior destaque e mais recentemente nas rádios Câmara FM e Cultura FM, no DF. É professora universitária e atua como profissional multimídia prestando serviço para diversas entidades como Fundação Banco do Brasil, Abravideo, CNBB, Cáritas Brasileira, Ministério Público do DF, Procuradoria Geral da República, Embaixadas e emissoras de rádio.

A radiodifusão comunitária é assunto crescente junto aos movimentos sociais e demais entidades da sociedade envolvidos na luta pela democratização do acesso à comunicação no Brasil. Por entender a relevância e a necessidade de aprofundar o estudo desse tema, verifica-se em Poder Local No Ar, a viabilidade de municipalizar os serviços de radiodifusão comunitária no País. Analisa-se como a municipalização das rádios comunitárias pode contribuir para democratizar e fortalecer a esfera pública municipal. E, além disso, examina-se a possibilidade de tornar o Município o locus determinante da política de comunicação comunitária e transferir para esse ente da Federação a outorga dos serviços que regulamentam as rádios comunitárias.

Foi realizado um estudo de caso na rádio Comunitária Educativa Elos FM, instalada em uma escola municipal, do bairro Ferradas, em Itabuna, Bahia, a partir da seguinte hipótese: a municipalização da radiodifusão comunitária, por meio da criação da lei da radiodifusão comunitária local e do seu efetivo cumprimento, levará à maior participação dos cidadãos na radiodifusão e ao fortalecimento da esfera pública local.

A municipalização da lei da radiodifusão comunitária em Itabuna e a instalação da rádio em Ferradas contribuíram para fortalecer a esfera pública local, apesar dos níveis baixos de participação. Embora a experiência analisada apresente limites, a pesquisa evidencia o potencial da municipalização das outorgas de rádios comunitárias para aproximar as comunidades das políticas de comunicação, oferecendo novas oportunidades de democratização.

PODER LOCAL NO AR: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil. Brasília: Abravideo, 2009. 92 p.