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domingo, 10 de outubro de 2010

Esperanza espera

Foto: Laura Capriglione/Folhapress

Tenho pensado muito nos mineiros do Chile a quase 700 metros de profundidade da superfície da terra. Mais de dois meses... Você consegue imaginar como é isso? Acompanho o drama das famílias e as necessidades que os mineiros apresentam por meio de papeizinhos ou de cartas enviadas às famílias. Um deles pediu como regalo uma foto do Sol. Que demais! Que deleite para quem não vê a luz do dia há semanas!

Esses homens, no total 32 chilenos e um boliviano, parecem ter saído de uma história de Gabriel García Márquez. Assim como um portal 3D direto para os personagens de Macondo, por exemplo. Ou como o sugestivo título que acabo de inventar: “A incrível e impressionante história de 33 homens no fundo da terra”. Provavelmente, em algum tempo, serão entrevistados e a história vai virar estória: livro, filme, minissérie de televisão.

O circo está armado, o enredo pronto com direito a um suspense do diretor geral (no caso, Deus), o cenário ainda recebendo os últimos retoques. Os figurantes todos a postos no lado de fora do imenso buraco escavado com potentes máquinas e brocas. Os atores principais ainda meio sem saber como tudo irá se dar no grand finale.

E do lado de cá ou de lá das imensidões oceânicas, preces, vibrações, bate-papos entre amigos. Que a vida não seja mais a mesma para eles, ou para nós, depois da resolução dessa tragédia anunciada. Aliás, o que são as minas de exploração de minérios e outras riquezas das entranhas da terra senão minas a ponto de explodir com a vida que se arrisca por míseros salários? Em troca, mineradoras e empresários, engordam as contas bancárias; em troca, a natureza devassada, devastada, chora.

O acampamento Esperanza espera, os homens esperam, o mundo espera.

Como seria se estivéssemos lá, no lugar de um dos 33?

Um comentário:

  1. Realmente, não sei como seria, mas a reflexão é oportuna porque me parece que a humanidade (e é claro, me incluo aqui) encontra-se apática e sem reação. Por incrível que pareça, já compreendemos TUDO, mas não conseguimos FAZER NADA e TUDO continua do mesmo jeito.


    Bj, Lú.

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