(Arte: autoria desconhecida)
Com o advento das redes sociais, o Facebook, em especial,
todo mês de outubro é a mesma coisa. Os perfis se transformam com as
fotografias fofas de nossos amigos da época de criança. Tem marmanjo que não
mudou nadinha. A cara é de um e o focinho também. Na hora dá para detectar que o
rosto é nosso velho conhecido. Tem bebê de colo, no berço, engatinhando, com
animais de estimação, com os pais, na bicicleta...
Quanto a mim, quase não tenho fotos da infância. Embora isso
esteja resolvido, sinto uma vontade danada de saber como eu era. Eu sei que eu
seria como todo mundo, igualzinha ao que sou agora. Mesmo assim, essa outra
Adriane, perdida num passado distante, me fascina e instiga a recordação que, às
vezes, traz à tona imagens sem negativos ampliados. Quiçá, poderei descrevê-las,
para o deleite dos psicanalistas...
O retrato mais antigo que tenho de mim, eu não apareço nele.
Explico. Trata-se de um 3 x 4 de minha mãe grávida de mim. Mas euzinha só vou aparecer
numa foto do meu batizado quando tinha seis anos, em 1978. Em pé, de vestido
rosa-bebê, tento me equilibrar de cabeça para baixo na pia batismal. De novo
não apareço na foto, quem se destaca é o padre. Contudo, depois tiramos uma com
D. Maria e seus três filhotes.
Muitas famílias guardam fotos dos filhos montados num
cavalinho de brinquedo. Já viu? Os fotógrafos eram uma espécie de vendedores de
sonhos. Como os mascates que vendiam de tudo pelos rincões do Brasil, os
retratistas ofereciam essa futura viagem ao passado impressa no papel. E todo
mundo queria aproveitar a estada deles na região para registrar as lembranças,
ainda que fossem nos pequenos monóculos...
Recentemente, apareceu outra, de 1977, postada pela querida
Geovana Lang. Alheia ao desfile de Sete de Setembro, minha roupa é alaranjada, diferente
do azul e branco predominante. Geovana afirma que a moreninha de farta
cabeleira sou eu. Será? Minha mãe explicava que não existia o hábito de fotografar,
como na atualidade que todos temos uma câmera à mão. Tirar foto era o evento. Porém,
no fundo, no fundo, lá onde o tempo faz morada, sinto falta da memória
dissipada no esconderijo dos dias. (Adriane Lorenzon)
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