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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Como serei quando crescer?

(Arte: autoria desconhecida)

De vez em quando me vem à mente a minha vaga imagem no futuro. Como serei quando crescer? Uma das perguntas mais praticadas na infância serve agora em outro contexto e sentido. Como serei quando alcançar a plenitude da vida, a velhice? Como quero ser e o que estou fazendo para me tornar melhor? Serei rabugenta, mal-humorada, fofoqueira? Ou generosa, indulgente, menos reativa, mais compreensiva?

Outro dia tomava o café da manhã no restaurante do hotel, numa cidade em que não há o costume de pessoas estranhas dividirem a mesma mesa, que eu acho o máximo, diga-se de passagem. E uma velhinha de cabeleira alva sentou-se comigo, sem dizer bom dia, com licença, ou um sorrisinho amarelo que evidenciasse civilidade. Em troca, fiz um gesto de que aquilo era absolutamente normal e que ela era bem-vinda.

Como sou socrática até debaixo d’água, fiquei me questionando. Por que alguns idosos são amargos, até meio estúpidos, e outros são tão ao contrário? Resposta óbvia, diz o leitor: porque as diferenças existem em qualquer idade. Daí eu concluo: assim somos se assim nos construímos. Já percebeu que tem velhinho que morre reclamando da vida enquanto outros até o último momento distribuem pílulas de sabedoria?

Como serei quando crescer? Sempre divulguei aos quatro cantos que belíssima mesmo serei aos 60 anos. Idade, em que, imagino, estarei plena, no auge da existência. Talvez eu nem viva até lá e isso seja a maior bobagem. A maturidade nos oferece, aos poucos, uma espécie de riqueza que ninguém nos tira. No entanto, podemos compartilhá-la na maior prodigalidade o tempo todo, basta que estejamos atentos ao nosso redor.

E essa beleza, que se revelará a quem tiver sentidos para captar, virá como consequência do forjar-me ao crescimento, como o ferro ao fogo, o entalhar da madeira. Como eu quero ser quando crescer será como eu quero ser agora. Como está sendo o meu estar no mundo? Se não me conheço a ponto de ir me purificando, o que me espera na velhice? A resposta desse cálculo é subjetiva; também lógica e exata. (Adriane Lorenzon) 

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