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sábado, 8 de janeiro de 2011

2011... E agora?

Foto: autoria desconhecida

Mais um ano terminou, outro começou e você pode estar pensando: eu de novo nesse platô de acomodação, de duvidoso conforto, de incerta tranquilidade; parece que nada mudou, não está bom, mas poderia estar pior, vou deixando a vida me levar. É o jeito.
É o jeito? Ora, quem se deixa levar é camarão! Quem é o responsável pela melhoria dos seus dias? O padre, o prefeito ou o dono da farmácia? Nenhuma das alternativas. Você é o único responsável por tudo que acontece ao seu redor. É claro que por sermos sociais recebemos influências do meio, mas a assinatura do contrato por dias melhores é individual. Quem permite que o outro determine como será o dia de amanhã paga o preço por viver a vida do outro e não a sua.
          Às vezes bate uma preguiça, em outras, certo conforto em não mudar as coisas de lugar. É preciso limpar a bagunça. Não dá para deixar coisas mal-resolvidas, jogar tudo para debaixo do tapete. Não dá. O boleto da cobrança cedo ou tarde chegará.
E o que eu chamo de bagunça? Esse desconforto no peito, uma ansiedade por dias melhores, essa vontade de acertar as coisas que parecem estar fora de lugar. Aí você se anima mas logo deixa para amanhã e vai conversar com o vizinho, falar do fulano, entrar em polêmicas vazias se é melhor que o Ronaldinho Gaúcho vá para o Grêmio ou para o Flamengo. E assim passam-se os dias, vai-se vivendo. Como diz a música cantada por Zeca Pagodinho, “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Como assim? Na poesia fica bem, mas na vida prática, se você deixar o timão sob a responsabilidade de um terceiro, esse barco vai naufragar.
Não somos coitadinhos e inocentes. Sabemos exatamente o que estamos fazendo porque temos gravado na consciência qual é o caminho do bem e o caminho da dor. Que tal fazer um combinado de reforma íntima com o ser mais importante, o eu? Sim, porque para amar o próximo, valorizar o outro, ajudar alguém, é preciso primeiro cuidar de si mesmo, do corpo, da mente – individualmente.
        Conclusão. Nada está confortável. Começar por onde? Uma das possibilidades é dar uma verificada nos arquivos internos, nas gavetas fechadas, nos tapetes mofados, nas janelas emperradas, nas portas que rangem, nas estantes tortas da sala de estar. Pergunte-se: que temperos tenho usado na minha cozinha interior? São ácidos, azedos, amargos, salgados demais? E como vai o quintal? Quantas flores nasceram na última estação?
        Minha irmã, concurseira, costuma dizer que não consegue sentar para estudar se não estiver com tudo limpo no local. Então ela arruma, organiza, varre, passa um pano e assim consegue se concentrar melhor. De modo geral, se estivermos com a nossa casa interior minimamente organizada podemos nos propor a alçar outros voos, até a limpar outras casas (o próximo, o meio ambiente, a escola do bairro). Ajudando a nós mesmos e aos outros, estaremos automaticamente cuidando da limpeza da mente do mundo – e este, se transformará, aos poucos, numa psicosfera muito mais harmoniosa e equilibrada.

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