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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Planejar ou deixar a vida levar?


(Foto: autoria desconhecida)

Andei pensando bastante na filosofia pagodiana – é bonita, confortável e... ingênua. Euzinha, antes da música de Serginho Meriti e Eri do Cais, cantada por Zeca Pagodinho, estourar nas paradas populares, a adotava. É o velho “deixa rolar” – oportuníssimo, por exemplo, ao tentarmos controlar algo irrefreável, externo à nossa vontade. Mas, no que depende exclusivamente de cada um, o lance muda de figura. O viver, também chamado destino, pode e deve ser alterado até acertarmos o ponto – como numa receita culinária.

Você viajaria de avião, ônibus ou carro se soubesse que o piloto ou chofer não dominam a técnica de pilotar/dirigir? Já pensou nisto: a existência nos conduzindo como motorista cega? Muitas vezes, intuímos que haverá um desastre logo ali; porém, é bem mais cômodo ficarmos paradinhos, sem refletir, permitindo que as coisas simplesmente aconteçam – assim, culparemos o marido, a esposa, o pai, a mãe, os filhos, a vizinha, o governo... O rol de alvos nessa hora é infinito. Sempre haverá, pelo menos, uma vítima: você.

A dimensão se amplia quando sabemos da própria responsabilidade e papel que temos no mundo. Conseguimos resolver se vamos atuar como atores principais ou meros figurantes. Há anos optei por traçar meus passos antes de gastar a energia em realizá-los. Confesso: não tem sido fácil – estamos, frequentemente, conectados a outras pessoas e, dessa forma, precisamos estar preparados para ajustar os planos. Para tanto, é fundamental habilidade e competência. A experiência de vida poderá oportunizar maior êxito no empreendimento.

Todo planejamento estratégico requer determinar etapas: ações, objetivos, prazos, responsáveis, tarefas, estratégias, meios... Contudo, antes dessa serviçama há um estágio essencial exigindo toneladas de sinceridade da gente: definição de prioridades. Não adianta querer comprar o badalado carro do mercado se você não tem recursos nem para pagar as contas do mês. Inclusive, o dinheiro teria de financiar depois diversos itens: manutenção, taxas, melhorias. Embora mediano, sem uma programação detalhada, tal desejo permaneceria na categoria de sonho.

Uma dica importante é entender que sonho não é meta. Sonho é divagar, criar fantasias, devaneios, cenários. Nele, compra-se, faz-se, viaja-se. Naquela é diferente. É necessário ousadia, temperança, disciplina, planejamento, decisão, foco, discernimento. Para transformar um sonho em meta é preciso pensar sobre ele, analisá-lo, depurá-lo. Só então surgirá a meta. Como as prioridades variam, deveremos nos atentar ao fio condutor que guiará a diligência.

Depois de checadas as prioridades e elencadas as metas e demais itens do projeto, é hora de arregaçar as mangas. Arrá! Aqui é que a porca torce o rabo. Metade dos animadinhos de início de ano, aí pelo dia 12 do mês um, já se esqueceram de tudo: caem na real, entendem que não têm vontade suficiente para se manterem firmes no propósito e abandonam o próprio barco. Dá-lhe incentivo nessa hora para compensar a frustração – desculpas não faltam para justificar a todo custo a acovardada atitude.

Trabalhar em uma atividade que nos levará a um resultado com mudança significativa no cotidiano é suar a camisa, incansavelmente. De forma diferente de um plano empresarial em que as ações têm um encarregado por setor, no pessoal, somos o único responsável desde a coordenação até a execução das tarefas propiciadoras da efetivação da meta. É claro que em algum momento contaremos com o valoroso auxílio de quem está ao redor. Mas se não puderem colaborar, não desista! Afinal, o intento é seu.

Observe. Se a meta é não se alimentar com pão branco para melhorar a saúde, morar sozinho é uma vantagem para vencer o desejo de comê-lo. Basta não comprá-lo e formar o hábito de consumir massas integrais. Acompanhado, vivendo em família, a empreitada será mais difícil – conscientize-se disso. Se a turma aderir à sua ideia, ótimo. Se não topar, sinto muito. Árdua tarefa lhe espera – seus olhos vão enviar ao cérebro imagens de pães deliciosos sendo comidos no café da manhã pela parentela. Todavia, novos comandos e condutas deverão ser criados para ajudá-lo a seguir adiante, firme, com prazer e alegria. Por você. Quer motivo melhor? (Adriane Lorenzon)

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