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sexta-feira, 15 de março de 2013

Boçais na moda


Bolsonaro agride toda a sociedade com cartaz chulo (Foto: Pedro Ladeira)

Impossível acreditar que a boçalidade possa um dia ser exaltada, replicada, imitada. O dicionário Houaiss apresenta boçal como indivíduo ignorante, rude, tosco; falto de cultura, sensibilidade, sentimentos humanos; besta, estúpido, tapado. O significados.com.br explica que esse tipo demonstra pouca inteligência, educação e delicadeza em suas ações. Será que essa fixação por não usar aquilo que nos diferencia dos animais vai pegar? Já pegou? Observe.

Bolsonaro. Militar e deputado federal desde 1991. Ao ser perguntado pela cantora Preta Gil sobre como reagiria se um filho dele se apaixonasse por uma mulher negra, respondeu: “Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”. Quem ou o que ele estaria representando? Um dia, lendo O inferno de Dante, conheci a palavra pusilânime; agora, entendi um de seus viéses.

Feliciano. Pastor, empresário da fé, fundador da Catedral do Avivamento – a igreja que entende você, e deputado federal. Na Câmara dos Deputados preside reuniões para defender grupos sociais que estejam em situação de abuso ou desrespeito aos direitos humanos. Em 2011, chamou os negros de “descendentes amaldiçoados de Noé”; em 2012, que a aids é o “câncer gay”. Até quando terá permissão para o desrespeito e a indecência?

Malafaia. E esse empresário da fé, fundador da Vitória em Cristo? Ôpa! Se pastor de igreja dita cristã, temos um equívoco. Não se pode servir a Deus e a Mamon, diz a Bíblia que ele mesmo prega – embora apontado pela revista Forbes como o terceiro pastor mais rico do Brasil. Das barbaridades que falou, na inauguração de um templo em Araruama (RJ) bradou: “Quem não der oferta, tudo bem. Mas não sairá daqui abençoado”. Ah, é, haveria muitos falsos profetas...

Entendo as fraquezas desses homens – eu também ainda tenho as minhas. Porém, com figuras públicas, que vivem do dinheiro de cidadãos – e do dízimo dos fiéis –, a decência e o amor precisam resvalar escancaradamente evidenciando o teor de suas práticas de vida, perante suas responsabilidades. Se a estupidez virou moda, que a gente entre na onda de reverter o quadro em favor do mundo. Todavia, só a educação poderá fazer alguma coisa por nós. (Adriane Lorenzon)

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