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sexta-feira, 22 de março de 2013

Atrasos de vida


(Ilustração: autoria desconhecida)

Você percebeu, caro leitor, como algumas pessoas com quem nos relacionamos são um atraso de vida? E como é difícil promover o devido afastamento delas para podermos avançar e não continuar retrocedendo? Delicado isso! Provavelmente porque algumas são amigas, parentes, colegas... Como sair de fininho sem grandes estardalhaços, se poderemos sentir sua falta e recairmos no vício da companhia?

Nesse sentido, é imperioso saber quem é o quê na sua vida: amigo, amigo de festa ou de bar, amigo muito amigo, conhecido, familiar, colega de trabalho, colega de aula, vizinho. Tem uma diferença danada em cada um! Às vezes a gente confunde e mistura tudo e acaba esperando de todos mais ou menos a mesma recíproca. Por isso, gosto desta frase: “Não espere das pessoas aquilo que elas não podem [ainda] lhe oferecer”.

Um dia um amigo me contou que precisava muito se afastar de criaturas que duvidavam de sua capacidade de seguir em frente sem determinados apetrechos, conhecidos como muletas, desfrutando de maior autonomia. Riam-se muito dele. Sabedor que eu havia vivenciado situação parecida, desabafou confessando dificuldade em apartar-se dessas figuras que habitualmente o puxavam para trás.

Afastar-se não quer dizer desejar mal e aviltar esse indivíduo como se fosse o último dos mortais merecedores de nossa companhia. Distanciar-se é preciso porque em determinado período da vida novas afinidades são necessárias para obter-se êxito em objetivos não alcançados – afinal, o rio sempre renova suas águas. Afastar-se pode ser olhar mais fundo para dentro de si mesmo e, assim, voar mais alto, sem amarras.

Desligar-se de quem não contribui em nada e, além disso, só atrapalha, é tarefa, por vezes, dura e custosa. O jeito, talvez, seria averiguar os anseios da alma e analisar se estão harmonizados com quem convivemos. Mirar o abissal escuro individual pode ser um ato corajoso que exija certas renúncias, inclusive de pessoas queridas que um dia imaginamos que nunca viveríamos sem elas por perto. Haja disciplina, sô! (Adriane Lorenzon)

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