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sexta-feira, 1 de junho de 2012

O hábito da excelência


A excelência na tela "Quarto em Arlens", 1888 (Vicent van Gogh)

Aristóteles dizia: “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito”. Ao ler essa pílula de sabedoria, quase tive um troço, pois ao decodificá-la, identifiquei, na hora, semelhança com o meu pensamento sobre o estar no mundo. E sentir-se acompanhado nessas grandes coisas da vida, dá um calorzinho na alma, principalmente quando tudo ao redor parece preferir a mediocridade...

Nesse sentido, buscar a excelência nos torna muito acima da média, embora isso não seja o mais importante. Aliás, é o que menos importa, pois não se trata de pequenas vaidades, apesar de ganharmos muito com isso. Quem sai beneficiado automaticamente são os outros: clientes, amigos, colegas, parentes. Saiba: tudo o que é repetido tem maior probabilidade de se perpetuar. Tudo o que é adiado é adiado. Simples questão de escolha.

Uma consequência certa de primarmos pela excelência é: muita gente preguiçosa e iludida vai torcer o nariz para você. Prepare-se para ouvir cochichos quando você passa ou para ser malquisto por familiares e conhecidos que juram que você está querendo aparecer. No entanto, os respingos desse esforço pelo melhor tocarão os que estejam prontos para iniciar suas empreitadas individuais rumo a um viver excelente.  

Se o processo está produzindo efeitos? Observe as pessoas com quem convive na intimidade. Aos poucos, e isso leva tempo, elas começarão a mudar também. Atente-se. E além do mais, haverá uma fase em que você não saberá dosar a medida dessa melhoria e o mundo ainda será atingido por um homem velho sendo lapidado. Siga em frente. A autoanálise é parceira quando se decide ser melhor como irmão, marido, esposa, colega, chefe, amigo, pai, mãe...  

Quer um exemplo? Imagine o ambiente de uma loja que aplica excelência no atendimento. Vai ter fila dobrando o quarteirão. Todo mundo vai querer comprar lá – porque o consumidor compra o conceito, o que está por trás do produto. Experimente no seu comércio. Em pouco tempo, o concorrente vai precisar mudar, vai querer saber por que ninguém mais entrou em sua venda. E, assim, toda a cidade será inspirada pelos bons ares da inovação.  

Mas para isso é necessário... co-ra-gem. Ah, essa dona que vive na tríplice fronteira do nosso querer, poder e fazer.  Há uma frase que gosto muito de Walter Kleinert: “Crianças têm medo da escuridão. Adultos têm medo da coragem”. Por que a coragem assusta? Sempre a mesma resposta, pode investigar: porque a zona de conforto é macia, segura, agradável, quentinha e, acima de tudo, exige pouco ou nada de esforço para continuar nela.

É inevitável. Comece pelos pensamentos, depois pelas palavras e, em seguida, pelas atitudes. Pode até realizar em outra ordem, desde que alcance um nível superior do último que você insiste em ficar agarrado por ser mais “legalzinho”. Legalzinho? Ser excelente é tratar a tudo e todos, inclusive você, de igual maneira nos quesitos fundamentais que a excelência exige. Descubra você mesmo quais são. Eu já achei os meus. Agora é que são elas. Cadê coragem? (Adriane Lorenzon)

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