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sexta-feira, 25 de março de 2011

Síndrome de pessoas irritadiças

(Foto: Adriane Lorenzon, Cactus, 2009)
É cada vez mais comum encontrar pessoas com a mente doente. Observe! Refiro-me, especificamente, a distúrbios conhecidos como moléstia ou síndrome de pessoas irritadiças. Os sintomas evidenciam exasperação por qualquer coisa. Criaturas afirmam ser um amor de pessoa – entretanto, ai de quem pisar no calo delas. Outras afirmam saber perdoar; agora, esquecer, ah, isso não!

Conhece alguém assim? Certamente, você dirá. São inúmeros os casos de colegas, amigos, parentes sem resistência à menor contrariedade. O círculo dessa gangue se amplia pois a cada dia multiplicam-se as pressões nocivas pela competitividade no mundo do trabalho. Deixa-se, portanto, de se aplicar a mesma medida nos incentivos à reflexão e à transformação íntima.

Também é de se considerar no estímulo ao nervosismo, o desleixo do cidadão comum levar a vida sem descobrir quais itens “não quer” para si mesmo. Objetivo e meta são insuficientes. É preciso vento, vela e uma porção de sopro interior. Por conseguinte, um aspecto importante decorre do “autodesconhecimento”: muita gente não sabe dizer NÃO à causa dos malefícios. Aliás, nem a percebe. As contaminações cercam o indivíduo e algo o impede de observá-las, extingui-las, amenizá-las.

Afinal, que impurezas são essas? A fumaça do cigarro do outro, a mesma música tocada dez vezes por dia na emissora de rádio, a poluição visual de propagandas, a ressaca de álcool no dia seguinte, o trânsito caótico da grande cidade, a sobremesa “mais ou menos” do almoço, o cheiro do esgoto, o ônibus lotado, o barulho da britadeira. A lista virou um pergaminho? Pois aproveite para fazer o check list: isso quero, isso não quero. Tem sempre um item sobrando? Vire-se! Faça alguma coisa por você!

Há ainda ocorrências de infecção crônica. No entanto, a cura só ocorre com um toque de ousadia: trocar de canal ou desligar a tevê na hora de um programa que promova o desrespeito às diferenças; transferir-se de uma cidade com altos índices de violência e poluição para uma opção saudável, mesmo com salário reduzido; mudar a alimentação observando os critérios básicos dos nutricionistas: consumir frutas, legumes, verduras, cereais integrais. Não é só querer. É atitude.

Todavia, se o caso de irritação vem da relutância de virar a mesa e buscar algo diferente... vá em frente. Nada fará alterar o status quo a não ser a sua pegada no mundo. Talvez haja surpresas, mas, a depender da postura individual, a música de Zé Rodrix e Tavito poderá transformar-se no fundo musical de um novo momento: “Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar no tamanho da paz”. E a paz interior é inestimável – na roça ou na cidade. De lambuja, além da trilha sonora, o filme da sua vida poderá render boas tomadas em locações exuberantes e ao menos uma indicação ao prêmio de melhor protagonista.

Pense. Se o vivente não enxerga o elemento gerador dos males, vai ficando irritado e de mau humor sem discernir as reais motivações do mal-estar. E aí sai distribuindo cara feia, reclamação, sentimentos negativos. Indispensável é a vigilância para evitar adoecer e passar a tratar indelicadamente quem o rodeia. Crie espaço para bate-papos consigo mesmo. Busque ouvir-se mais e prestar atenção àquilo que o incomoda. Você pode estar descobrindo o elemento causador de futuras exacerbações e impaciências.

Conhecer a si mesmo é a chave de todas as perguntas.  Vencer a si mesmo, a de ser feliz. A partir daí, pode-se começar a distribuição de outras riquezas, a depender, claro, do que a alma está cheia. Sim, porque em princípio, entregamos ao mundo um pouco daquilo que estamos fartos, e fartos, neste caso, tem a ver com fartura, com aquilo que trazemos abundante em nós.

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