Loading...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fobia de quê?


(Foto: autoria desconhecida)


O Brasil, um dos maiores países cristãos, logo, nação que pratica e preconiza o amor, ainda se orgulha de defender a repulsa, o preconceito, o medo [pasme!], a discriminação aos homossexuais. Que país é este? Cadê o respeito e a responsabilidade com o povo brasileiro, cara-pálida? Que exemplos de igualdade e fraternidade estamos mostrando para nossas crianças? Teoricamente, reafirmamos o bem.

Mas, “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”, diz a canção de Assis Valente, eternizada pelos Novos Baianos. Apois entonce. O grande relógio não para e já é tempo de realizarmos uma avaliação aprofundada com rigor e discernimento de discursos e ações comuns no dia a dia. Brasileiras e brasileiros se vangloriam da democracia e da multiplicidade cultural tupiniquim, pois, muito nos ensinam acerca da diversidade.

Por sua vez, a Constituição de 1988 é chamada de “Constituição Cidadã” pelos inúmeros direitos à liberdade e à igualdade. O Brasil garante a soberania, a cidadania, a dignidade humana. Aspira à promoção do bem de todos sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade. Todos são iguais perante a lei, sem distinção nenhuma. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante. A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.

Arrá! Como poetas, temos a habilidade necessária para tocar corações! E na realidade? Chora a pátria, mãe gentil. Chora porque ainda há irmãos nossos que precisam disfarçar em vez de serem autênticos; são torturados psicologicamente em suas famílias e na sociedade; diariamente são ameaçados e violentados, muitos até a morte. E a lei faculta o que legisladores moralistas insistem em extinguir como direitos e deveres. Sob o argumento da liberdade de expressão, derrubam a cerca do respeito com enxadas de maldade, foices de hipocrisia, flechas de injustiça, e indicam o ódio como o melhor caminho da educação.

Ora, essa! De qual igualdade estamos falando? Daquela tão bem mostrada por George Orwell, embora em outro contexto: “Alguns são mais iguais que outros”? Não, não. Um país democrático, plural e igualitário não sujeitaria filhos seus à exclusão sórdida, discriminando pessoas pela orientação sexual, ou por pensarem de modo diferente da falsidade imperante em “poderes”, como: religioso, político, educacional, judiciário, militar.

Além disso, frequentamos templos que pregam o amor, todavia, só aquele “normal” e adequado aos parâmetros obtusos de seu dirigente. Em casa, não conversamos sobre tal assunto porque isso é coisa só da família do vizinho. Na escola, não estamos preparados e preferimos o silêncio. Na mídia, a caricatura ainda se faz constante. Na rua ou no trabalho, risinhos entre os dentes, próprios da ignorância e da baixeza de caráter, permanecem amarelos.

Ei, espera, aos poucos, bem aos poucos, vislumbramos inteligência pulsando em nossas cabeças. Começamos a eleger políticos que trazem à tona temas importantes para a construção de uma cidadania mais autônoma. O governo inicia a abertura lenta e gradual da ação de descortinar a homofobia em escolas produzindo materiais para informar professores e alunos. A alta corte reconhece união estável nas relações homoafetivas. Pais ouvem filhos e falam de suas realidades.

Estaríamos avançando? Em que período da evolução a humanidade está ou parou? Tempos bárbaros ou queremos algo mais para o progresso do ser? Ou você é mais um daqueles que preferem continuar uma vidinha de queixas por um mundo melhor, e na primeira oportunidade de mudar o status quo, se faz de sonso e fica em silêncio? E quando fala, só sai bobagem? Ler e se colocar no lugar de quem está sendo julgado ajuda bastante, sabia? Você está do lado da Vida ou da irremediável conduta que nos leva ao caminho da dor?

Nenhum comentário:

Postar um comentário