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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Diga sim


(Arte: autoria desconhecida)

Um sorriso abre mil portas. Certamente, caro leitor, você já ouviu essa máxima em algum lugar. Até o mais carrancudo dos mortais se rende, nem que seja com o tempo, com o poder da expressão maior de simpatia. Observe. Um sorriso sincero é o sim, a cara fechada é o não. E a humanidade, é claro, precisa de “mais sim do que não”, como canta Lulu Santos em Tempos modernos. O sim faz fluir a vida, o não empaca o viver. O sim é vitória, o não é derrota.

Brincar de viver, de Guilherme Arantes e Jon Lucien, também aponta o imperativo do sim: “Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim, continua sempre que você responde sim à sua imaginação, à arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não”. O sim abre caminhos. “Dizer sim é provocativo. A partir dele, muitas coisas acontecem. Dizer não é impeditivo. A partir dele, muitas coisas são obstruídas”, explica a amiga Adriana Studart.

Nesse sentido, por que será que o não faz tanto sucesso? Arrá! Provavelmente porque ouvimos o não todos os dias desde pequeninos: “Não mexe, não coma isso, tira a mão da boca, você vai cair, não coloque a mão aí porque dá choque, você vai se queimar”. São inúmeros os incentivos ao não que aprendemos e levamos para nossas vidas. Embora vários nãos evitem acidentes e sejam sinônimo do cuidado de nossos pais e responsáveis.

Pensando bem, que estímulos as crianças recebem com um viés mais amplo, do tipo: “veja o sol nascer, agradeça o alimento, vá em frente, planeje como você quer ser, leia bastante, assista a bons filmes, ouça músicas plurais”? O não, ouvido e motivado desde nossa infância, é o caminho mais fácil e certeiro na fase adulta. Então, novos reprodutores do não serão gerados. “Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do não”, escreveu Drummond.

Muitos passam a vida inteira dizendo sim e, mais tarde, precisam pagar terapia para aprender a dizer não, quando necessário, aos outros. Ou para dizer sim a si mesmo. São os que não se impõem, como se não tivessem uma digital. Contudo, há um porquê escondido nisso. Dizer apenas sim aos outros e negar o próprio sim é extremamente prejudicial à saúde do corpo, da psique e do espírito. Provavelmente, carecerão reorganizar as funduras do seu eu.

Existem ainda os que se preservam dizendo não, concluindo que estarão a salvo dos perigos de se comprometer com o interlocutor. Tem gente que fala não com o silêncio e acaba se excluindo da vida de quem está ao redor. Em outro sentido, a palavra mais constante de minha mãe era sim e isso lhe fazia um bem danado, contagiando todos ao redor – parceira perfeita para uma caminhada, andar de bicicleta, comer uma pizza, conversar, e até para coletar mel...

Perguntinha incômoda: quantos nãos teriam escutado as criaturas que sobrevivem gritando não a tudo e todos? Dizer sim à vida não é aceitar calado o que lhe exigirem; é, às vezes, simplesmente ouvir, sorrir, abraçar, jogar a razão para escanteio e deixar falar a emoção, a sensibilidade. Chega de racionalismos baratos! Sabe a história do menino Exupèry que mostrava o desenho de um elefante engolido por uma cobra e todo mundo só via um chapéu? (Adriane Lorenzon)

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