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sábado, 10 de dezembro de 2011

Marcha pelas drogas







 (Arte: autoria desconhecida)

Amanhecemos o ano de 2011 com uma enxurrada de convites à drogadição. Foram tantos apelos! Um pouco de desconhecimento e defenderíamos também. Percebeu? Saca só. Em janeiro, soubemos da produção do documentário Quebrando o tabu, de Fernando Grostein, mostrando que a maconha precisa ser descriminalizada. Autoridades, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton (EUA), defendendo a legalização das drogas para poder barrar o consumo. Segundo o filme, a guerra contra os entorpecentes está perdida.
Programas jornalísticos nos apresentaram o óxi (feito de cal, substância de bateria, gasolina ou querosene) – mais forte e mais barato que o crack. Se este custa módica meia dezena de reais, o óxi sai pela metade do preço. A cal detona o sistema respiratório, enquanto o combustível afeta a região digestiva. Segundo a Polícia Federal, o óxi não é uma nova droga e, sim, uma variação da cocaína, surgida em 2005. Porém, a bomba da vez é o crocodilo. Criada na Rússia, a droga é composta de analgésicos, ácido e fósforo e apodrece a carne dos usuários. Segundo a revista Time, a expectativa de vida dos dependentes é de três anos.
Ainda ficamos sabendo da existência do cristal, tóxico poderoso que estoura os dentes dos usuários devido aos elementos corrosivos de sua fórmula. É chamado de cristal da morte; certamente, não por acaso. Conhecido por ice (gelo, em inglês), é 60 vezes mais forte que a cocaína. Pode ser fumado, cheirado, injetado ou tomado. Trata-se de uma meta-anfetamina que estimula o Sistema Nervoso Central causando euforia e potencializando o desejo sexual. Por isso é usado em festas, tipo raves, e durante o sexo. Leva o usuário a ficar dias sem comer ou dormir.

Por todo o país eclodiram passeatas de jovens defendendo a descriminalização da maconha. Como lhes faltou habilidade para se expressar e, desse modo, conquistar a opinião pública massivamente e com o devido discernimento em casos como esse, foram repreendidos pela Polícia Militar em diversos lugares. Até que conquistaram o direito na Justiça pela liberdade de expressão e puderam sair com cartazes, faixas, gritos de ordem ou desordem, como queiram, para dizer o que pensam em vários cantos do Brasil.
Sem o devido destaque na grande mídia, a indústria do tabaco manteve aditivos, aromatizantes, temperos e ervas que, cada um na sua função, potencializam os efeitos da nicotina e disfarçam o gosto horrível na boca. Açúcares são adicionados ao cigarro, aumentando doenças graves nos dependentes, como o câncer. Atualmente, a lenta e resistente Anvisa luta para que a propaganda explícita de cigarro não volte à cena. O governo não se posicionou firmemente e a indústria fumígena passou a determinar a velocidade da discussão. 

Durante dias acompanhamos pela televisão os desdobramentos de uma polêmica desnorteada (como todas são) e protagonizada por estudantes de uma das maiores e melhores universidades brasileiras: a USP. Alunos fumavam a erva marijuana no pátio da instituição quando a Polícia Militar interveio. Estudantes, “saudosistas” da luta contra a ditadura dos anos 1960/70, decidiram usar o ocorrido para barganhar outras questões com a reitoria. Foram falar de violência, por exemplo, utilizando-se de... Adivinha!? Violência...

Fechando o calendário, recebemos a notícia da morte do jogador Sócrates, autodeclarado dependente de álcool. Em setembro, numa de suas internações hospitalares, a mulher dele, Kátia Bagnarelli, disse ao jornal A Folha de São Paulo que iria incentivar o marido, quando recuperado, a iniciar uma campanha contra o alcoolismo para conscientizar as pessoas. “O arrependimento veio agora, me vendo sofrer e pelo sofrimento físico que ele está sentindo”, comentou. Não houve tempo para os projetos e o esclarecimento da sociedade.

Para o psiquiatra André Toríbio, “vivemos num mundo químico em paralelo ao crescimento econômico que nos acompanha como artifício de qualidade de vida”. Ou seja, desde cedo sabemos como alterar artificialmente a consciência para melhor digerir os reveses da vida. Mas quando vamos primar pelo discernimento, educação, reforma interior e, assim, espalhar em volta a prática de um mundo melhor? Se a Organização Mundial da Saúde constatou em estudo que a dependência química ocorre num processo de aprendizagem, por que não aprendemos também a edificar nossa construção muito mais do que nossa destruição? (Adriane Lorenzon)

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