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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Da nossa ecologia

Símbolo da ecologia da mola Konstanttin (Foto: Stock) 

Se formos ao dicionário, a primeira definição de ecologia está associada ao campo biológico, à relação dos seres vivos com os demais e seu meio. Mas, imediatamente depois, há uma derivação de significado, por “analogia”, acrescentando: “Estudo das relações recíprocas entre homem e seu meio moral, social, econômico”. Aí começamos a nos entender, Seu Houaiss! Não sendo, porém, suficiente. Falar de ecologia hoje é falar da vida de modo plural e uno.

Cinco de junho, além de ser o Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia Nacional da Reciclagem, é o Dia da Ecologia. A data não se refere apenas ao cuidado com as paisagens, o uso da água, o manejo do solo, o reflorestamento... Agora, em pleno século XXI, essa luta não basta. É necessário tratar de outros cuidados, indo além do ambiente natural. Qualquer ação tem de ser resultado de uma mudança de pensamento: nossa mente deverá trocar seus referenciais.

Mas de qual ecologia essa mulher está falando, pergunta-se o leitor. Inspirada no professor Leonardo Boff, respondo que precisamos cuidar mais da nossa ecologia enquanto ser, sociedade, espécie constituinte do Planeta. O mestre diz que o ser é planetário, cósmico. Não está dividido em partes, como bem ou mal fez a modernidade. Ele aborda a ecologia ambiental também, mas nos instiga quanto a áreas diversas: as ecologias social, mental e integral.

Sintonizado a esse entendimento, o francês Félix Guattari discorre sobre três ecologias: meio ambiente, relações sociais e subjetividade humana. “É exatamente na articulação: da subjetividade em estado nascente, do socius em estado mutante, do meio ambiente no ponto em que pode ser reinventado, que estará em jogo a saída das crises maiores de nossa época”, afirma. E conclui para o nosso desespero ou salvação: “Corremos o risco de não haver mais história humana se a humanidade não reassumir a si mesma radicalmente”.

Veja. Se nossa postura não é plural, compreensiva, amorosa, não estamos cuidando de nós mesmos. Despertemos para a ecologia profunda, para a mudança de nossa mentalidade! Despertemos para uma nova visão – a cosmovisão, um olhar holístico, que entenda o ser como ser complexo e integral. E Boff nos tranquiliza: “Tudo se mantém religado num equilíbrio dinâmico, aberto, passando pelo caos que é sempre generativo, pois propicia um novo equilíbrio mais alto e complexo, desembocando numa ordem, rica de novas potencialidades”. (Adriane Lorenzon)

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