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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Mais do mesmo

Fátima Bernardes e Gusttavo Lima (foto: autoria desconhecida)

Assistir à Fátima Bernardes, dita jornalista respeitada porque... ah, porque cobriu não sei quantas Copas do Mundo e foi âncora oficial do maior telejornal brasileiro – dizem, dançando músicas de rasíssimo valor artístico, como Gatinha assanhada, cantada ao vivo por Gusttavo Lima no programa Encontro, é constatar que “alguma coisa está fora da ordem”, como canta Caetano Veloso, ou que nos enganaram e que esse tipo de jornalismo representado pela citada profissional não é tão elevado assim.

Antes da estreia, o tal programa era divulgado como fantástico, quase de outro mundo. De “um programa só de Fátima Bernardes”, com tanto talento, credibilidade e competência, não poderíamos esperar algo mais extraordinário. Desculpe, caro leitor, mas quando assisti ao Jornal Nacional a imagem jornalística da moça nunca me passou credibilidade nenhuma. Não estou falando do ser humano por trás da comunicadora. Apenas do que ela construiu transmitindo o noticiário televisivo como jornalista.

A propósito, foi-nos dito que devíamos render graças e loas a tudo o que fosse exibido na televisão. Aprendemos que os que apareciam nessa caixinha eram muito especiais, inteligentes e, de alguma forma, bem-afortunados por conviverem com estrelas e entrevistarem, ainda que tolamente, autoridades e celebridades. Isso constituía um pedestal indestrutível que jamais conseguiríamos alcançar – tamanha a nossa pequenez diante de uma figura de “alta superioridade”: o “supremo suprassumo”.

Pensemos. Maior telejornal, em que sentido? Em alcance junto a maior parte da população. Em que condições a Globo conseguiu isso? Ah, sim, com favoritismos junto a governos e políticos. Bem-afortunada? Uma das características da televisão é criar falsas impressões... Programa diferente? Em quê, se toca praticamente as mesmas músicas que os veículos comerciais, se sorri o sorriso de craquelê como a maioria dos apresentadores, se convida a falar os mesmos representantes da opinião silenciadora?


O patético rebolar da moça ao som do sertanejo universitário provoca uma gastura nauseante. Mais do mesmo é mais uma dose do que temos ouvido ou assistido nas estações comerciais de rádio ou de tevê. Tais veículos, programas, profissionais, a cada novo período, se corrompem para divulgar o que dará mais audiência e maior lucro em consequência. A indústria cultural nos vende o Encontro como inédito. Mas ele é nosso velho conhecido – só que maquiado, travestido de novo. Pronto, contei. (Adriane Lorenzon)

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