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sexta-feira, 15 de julho de 2011

A missão de cada um

Professor de história, Adriano Denovac, em sala de aula: uma missão
(Foto: Adriane Lorenzon)

De acordo com o dicionário Houaiss, missão significa encargo, obrigação, dever, incumbência. Porém, ampliando o campo de visão, é oportunidade, compromisso, responsabilidade, escolha, desafio. Seja como for, o termo tem a ver com um trabalho realizado por alguém num determinado período. No caso da missão de cada um, o próprio indivíduo conseguirá discernir a principal tarefa que lhe cabe. Para tanto, é necessário querer algo mais da existência.

De acordo com alguns estudiosos, missão está relegada a seres de elevado progresso espiritual como Jesus Cristo, os Chicos – Xavier e de Assis –, Gandhi, Buda, madre Teresa de Calcutá, irmã Dulce, Bezerra de Menezes. Desse modo, para nós, pobres soldadinhos rasos, restam labores não alçados à categoria de missão. Como o vocabulário terreno ainda é muito limitado, por conta das infinitas dificuldades evolutivas da espécie, a palavra utilizada pouco importa.

Oxalá tenhamos nascido para sermos políticos honestos, educadores holísticos, médicos e enfermeiros atenciosos com a dor dos pacientes, vizinhos respeitadores dos limites alheios. Estamos aqui para realizarmos grandes feitos como Juscelino Kubitschek? Quem sabe teremos vindo apenas como bons irmãos, pais cientes de seus papéis – mesmo em ambientes caóticos? O que pensamos sobre a seara que cultivamos? Como tem sido preparado o terreno? Seduções nos desviam da empreitada?

Muita gente deixa para refletir sobre temas profundos quando a dor surge no caminho. Não tem sido assim? Mas, o essencial mesmo é um dia se perceber no mundo, ecologicamente, como nos lembra Félix Guatari, unindo subjetividades e relações socioambientais. O que vim fazer aqui? Como estou vivendo? Qual a minha digital nisso tudo? Estou fazendo a diferença ou sou “mais um” nessa engrenagem? Perguntinhas incômodas e indigestas, contudo, necessárias e oportunas em qualquer tempo.

Certa feita, Waldez Ludwig foi procurado por um adolescente de 16 anos para ajudá-lo a escolher um curso do vestibular. O sábio especialista em gestão empresarial ponderou que auxiliaria com gosto, mas só o faria quando o jovem lhe dissesse a sua missão de vida. Ora, o leitor poderá pensar: “Trata-se de um menino, viveu pouco para discorrer sobre assunto tão complexo”. Epa, epa, epa! O rapazote reúne, sim, condições para sentir o que o incomoda, quais dores o afligem, o que lhe suscita alegria, o que faz bater forte o coração.

Um mergulho fundo em nossas angústias e inquietudes nos leva a descobertas impressionantes sobre o que desejamos para o universo particular assim como para o de outrem. Breve análise sobre atitudes, pensamentos e sentimentos, indicará as respostas das difíceis questões da alma. Se eu sinto e vivo o bem, é porque o desejo em mim e no próximo –o bem, então, se infiltrará nos diversos ambientes e criaturas ao meu redor e isso me fará feliz; se, ao contrário, eu vivo em mágoa e planejando vinganças e duelos é porque o meu interior está inundado de mal.

Não interessa a profissão escolhida, se estamos desempregados, se frequentamos esse ou aquele templo, a cor da bandeira erguida, se a tarefa é criar os filhos, cuidar da casa, preparar o alimento da família. Quantos são os beneficiados com a construção dessa obra? O que vale é como realizamos essas atividades, das simples às complicadas. Realizamos com amor ou enfado? Com alegria em servir ou com o murmurar das reclamações constantes nos lábios? Uma infinidade de perguntas vai surgindo no horizonte...

Como está indo nosso empreendimento? Passear a esmo é instigante? Como agimos? Deixaremos alguma contribuição ao Planeta? Como se lembrarão de nós: solidários, compreensivos, abertos ao aprendizado? Ou, por “já sabermos de tudo”, como viventes arrogantes, raivosos, murchos, tristes, amargos e solitários? A missão de cada um pode ser, a cada dia, redescoberta, melhorada para que aumentem os benéficos respingos de nossa ação... Consulte a consciência e verifique a intenção nas coisas da vida. Está aí uma das soluções para inquietantes dúvidas como esta: o que estou fazendo aqui? (Adriane Lorenzon)

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