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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Investimentos de risco

(Foto: autoria desconhecida)

As bolsas de valores piraram, quase pararam. Como em 2008, o pânico tomou conta de boa parte dos economistas, investidores, empresários e executivos do mundo. Canais televisivos e radiofônicos e portais eletrônicos alertavam: dólar em perigo, urgência em criar uma moeda forte, indicadores negativos, avaliações a toda hora da nova ressaca intercontinental. A valorização de crédito da maior potência econômica, os Estados Unidos, baixou, e isso mexeu em brios e bolsos, assustando muita gente.

Uma crise não tão grave quanto a anterior, disseram os especialistas. Talvez, mais longa. Antes, a quebradeira geral de bancos; agora, por aqui, o medo da recessão e de o Brasil cair nessa onda depois de ter vivido uma situação positiva. Entretanto, os mesmos peritos tranquilizavam a nação brasileira, pois, desta vez, segundo eles, há mais dinheiro e solidez para enfrentar a rebordosa. Haverá mais turbulências? Uma incógnita palpitante deixando nervosos os engravatados do sistema financeiro.

Nos dias oito e nove de agosto de 2011 havia gente de coração na boca por tanta ansiedade, insegurança e medo de os mercados não emplacarem êxitos, lucros, participações e dividendos. Em caso de queda brusca, o sistema é programado para lançar um alerta e, se preciso for, interromper as transações quando a coisa fica sem controle – como um equipamento que anuncia terremoto no Japão levando pessoas a se protegerem. É catástrofe de qualquer jeito. Então, fiquei matutando por alguns dias.

Bovespa, Nasdaq, Dow Jones... Espera aí... Plim! E se a bolsa dos valores imateriais falisse? Os produtos desse naipe já degringolaram há muito tempo impondo-nos renovados olhares e atitudes frente a tal calamidade. Não vejo o mesmo furdunço de institutos, agências, empresas, governos, cidadãos para a acachapante crise moral vivida por nossa sociedade. De que modo reagimos frente a isso – você, eu, nós? A bolsa de valores deveria ser uma algibeira tipo as da mamãe-canguru que transporta carga preciosa: carinho, paciência, cuidado, compreensão, firmeza, alimento, doçura...

A grande bola azul está azeda e passa por momentos cruciais de descobertas. É preciso urgentemente reinventar a lâmpada do amor, o satélite do diálogo, as culturas do respeito à diversidade, o identificador de chamadas de auxílio, as pequenas drágeas de cortesias diárias. Bom dia, por favor, com licença, me desculpe. Bom senso, um tiquinho de temperança e gentileza não fazem mal. Doses e doses distribuídas a crianças e adultos sem contraindicação. Só estimulam, cada vez mais, o vivente a melhorar a saúde física e mental – de si mesmo e dos outros.

No meio de tanta ganância e ambição, afinal, aonde foram parar os princípios fundamentais da honradez? Nos traços do cifrão? Na carteira? No banco? Tudo deve ter uma recompensa monetária, do contrário não valerá o esforço do abraço naquela pessoa difícil, o aperto de mão no chefe carrancudo, um almoço de negócios que promete possibilidades lucrativas? Teria ido, o patrimônio intangível, para debaixo do tapete? Quem de nós carrega consigo um saco de bens mais valiosos que ouro? Por exemplo, a serenidade.

Lembro-me do amigo Fábio Franke em uma palestra. “Vocês acham que os corruptos dormem tranquilos? Não dormem. Como médico sei que se conseguem conciliar o sono é porque  tomam remédio para isso”, atestou. Portanto, não nos ocupemos com o caminhar do próximo, a não ser que efetivamente possamos ajudá-lo. E, nada de moderação na hora de ofertar crédito nesse mercado de capitais tão nobres e em falta nas prateleiras. A propósito, ninguém é tão autossuficiente que a riqueza ou a pobreza o impeçam de receber ou doar.

Um dia, quiçá, presenciaremos autoridades, empresários, legisladores, governantes, cientistas e o povo boquiabertos. Suas sacolas morais estarão remexidas. Por ventura, ousaremos vivenciar o aqui, agora de forma mais afetuosa e sábia. Então, retomaremos as rédeas de nosso cavalo selvagem interior e o domaremos levando-o a todo lugar num galope curto e atento ao que se passa além do pálido território das pequenezas humanas. Um investimento de alto risco, sim; porém, de rendimento melhor que VGBL, debêntures, mercadorias voláteis. (Adriane Lorenzon)

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