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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O mal e a inteligência


(Foto: autoria desconhecida)

Lá se vai uma década do maior atentado terrorista de que se tem notícia no Ocidente. Um plano “perfeito”, gestado aos poucos, sem pressa, mostrando a competência da humanidade quando seu desejo íntimo é usar a inteligência a serviço do mal; sua alma se satisfaz com o egoísmo; quando o duelo é prioridade e, o diálogo, coisa de um futuro distante; ensinamos e vivenciamos a guerra dentro de nossas casas; quando somos intolerantes com o diferente e o desconhecido – logo nós, eu e você, que fomos criados tão bem, dentro de elevadíssimos princípios éticos.

Alguém poderia pensar: o evento ao World Trade Center é um caso isolado, pois Bin Laden sempre teve bens materiais disponíveis e associou-se desde a Guerra Fria aos Estados Unidos. Criou-se, então, a cobra. Será? E a obscura Idade Média com a elite religiosa matando em nome de Deus? Mil anos devastando a inteligência que poderia criar, esclarecer, consolar! Falando nisso, e o extermínio de indígenas em nosso território? E a perseguição e carnificina de ciganos, judeus, homossexuais, testemunhas de Jeová, doentes mentais, eslavos, deficientes físicos da longa lista dos enjeitados de Hitler?

O passado não serve para o remoermos, porém é útil para nos aperfeiçoarmos, empregando a inteligência em favor de todos. Entretanto, teimosos, preferimos atrasar tudo. Os tempos bárbaros, nesse sentido, vão longe e muito evoluímos enquanto trajetória humana, em especial, nos quesitos tecnológicos e intelectuais. E os morais? A propósito, essa melhoria só ocorre quando não impomos condições adversativas à sociabilidade respeitosa e mantemos o bom ânimo para não estagnar. Vejamos alguns casos de como a inteligência é utilizada para o mal, para a obtenção de “vitórias” pessoais – num intenso exercício de vaidade e ambição. É o mau direcionamento da inteligência desviando condutas, caracteres, famílias...

Fernandinho Beira-mar: um homem com o corpo preso; a cabeça, não. De dentro das cadeias, fatura, por mês, cerca de um milhão e meio de reais comandando exércitos obstinados a alimentar o mal – este, arquitetado, diga-se de passagem, ao longo de desestruturadas vivências familiares. Estudiosos afirmam: o menino Luiz Fernando da Costa, criança de alta habilidade (superdotada), recebeu os estímulos que precisava em tenra idade no específico do que é hoje. Possivelmente, tinha um “talento especial” que foi valorizado ao revés. Daí a importância de pais e educadores incentivarem crianças, de todas as classes sociais, para o positivo: amor, compreensão, respeito, disciplina, tolerância, afabilidade.

Ah, e a corrupção!? Essa erva daninha de raízes profundas em solo tupiniquim nascidas, sob um aspecto, antes da invasão, quando Portugal dominava países africanos e o Brasil, de fato e de direito, não fora cartografado. Basta ler a obra de Sérgio Buarque de Hollanda, Raízes do Brasil. Homens corruptos sempre existiram. Está certo: em algum momento, mulheres, apesar de sua sensibilidade aguçada para ver além, igualmente se converteram à prática ignóbil e perversa de enganar o outro. Há poucos dias, no plenário da Câmara dos Deputados, a jovem parlamentar Jaqueline Roriz justificava o pesado maço de R$ 50 mil – recebido nas coxias da política brasileira – com argumentos ofensivos a qualquer cidadão honesto: “Em 2006, eu era uma cidadã comum”.

Diz-se que Alberto Santos Dumont ao saber do aproveitamento funesto de seu maior invento, o avião, na Guerra Mundial de 1914 a 1918 e, depois, com o mesmo fim bélico, na Revolução Constitucionalista de 1932, sentiu profunda tristeza. Santos Dumont já estava doente com a esclerose múltipla e uma depressão profunda, vindo a piorar com a constatação do uso de sua “cria” mais engenhosa. Ele acreditava que o avião deveria servir para unir as pessoas, como meio de transporte e, por que não, de lazer, como (...) havia demonstrado, ao deslocar-se em suas aeronaves em Paris para assistir à ópera ou visitar amigos”, afirma Luciano Camargo Martins da Universidade do Estado de Santa Catarina.

Amigo leitor, observe. O mal está em todo lugar pela omissão dos fracos, também conhecidos como bons, que dizem não fazer o mal. Aliás, o mal seria o resultado da ignorância? O bem “é” – o mal foi inventado por quem, será? Paradoxal, meu caro Watson. Seres inteligentes... os únicos do Planeta! Enquanto não enxergarmos o tanto de bem que existe em nós e o quanto dele se expandirá ao atingir o outro sobremaneira, permaneceremos em castelos de areia, iludidos com a felicidade gerada por sensações vãs e polêmicas vazias – de braços cruzados, dizendo com imponência: “eu” não faço o mal, “eu” sou uma pessoa do bem. (Adriane Lorenzon)

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